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Memórias de império impotente

 
Tags:  amor    solidão    introspecção    luto  
 
Memórias de império impotente
 
"(...) Sinto-me uma história incompleta de onde arrancaram três anos de enredo. Sinto-me uma personagem dilacerada pela indiferença de um narrador louco. Não tenho para que lugar ir. A história estagnou na partida que assisti desta janela. Quem a escrevia adormeceu para a morte e eu vou permanecer aqui à espera que alguém retome o caminho para um final qualquer. Imagino como ele seria... uma tragédia de um suicídio perturbado numa noite vazia ou um final feliz com um sol sorridente. Dois opostos sinceros, duas vertentes que choraria. Mas hoje não está ninguém aqui para assistir. Poderia encenar verdadeiramente todo um drama de flagelos e loucuras que ninguém o iria presenciar. Poderia de igual forma encenar uma felicidade perfeita e sorridente que não iria ter com quem a partilhar. Porque sou uma personagem numa janela indiferente à vida. Porque sou um formigar de consciência vazia num tormento de multidões, onde a dor é um milésimo de segundo no olhar de cada ser humano."

Excerto de um dos textos do livro "Resquícios de um conto inacabado", de Ana Limão Ferreira, Edium Editora, 2008
 
Autor
Histeroneurastenia
 
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