O silêncio…
É no silêncio da minha própria voz,
Que me perco todas a noites,
Sempre que a luz,
Foge dos meus olhos.
A cada palavra que engulo,
Não satisfaz esta vontade,
De voltar a ser,
Verdadeiramente…
Amado.
Sinto vontade de gritar…
É o grito que sufoco todos os dias,
Para que não me chamem…
De louco outra vez.
É neste silêncio,
Que sofro sozinho.
Um sofrimento,
Que é tão forte,
Tão forte,
Que a dor,
É como se me arrancassem,
O coração do peito,
A sangue frio.
Apenas as lágrimas,
Teimosas,
Me relembram,
Constantemente,
De que,
Ainda estou vivo.
Sinto saudades…
Sinto saudades,
De ouvir…
A tua voz…
O som dos teus sorrisos,
O som dos teus gritos,
O som, das tuas palavras sábias,
O som, das tuas palavras…
De Amor,
Ecoar nestas paredes…
Vazias.
Eles levaram tudo,
Menos…
O que nunca viram.
Mas deixaram as ilusões,
Que me dividiram,
Que me eludiram,
E me guiaram,
Para onde a amizade,
E o amor…
Têm outro nome!
E desisti…
Foi no precipício,
Que esperei,
A morte de braços abertos.
Mas…
Nem mesmo essa maldita,
Que me olhou de frente,
E sem dizer uma palavra,
Riu-se…
Mais uma vez,
Cinicamente,
E virando-me as costas,
Foi-se embora…
Ninguém sabe,
Para onde...
Deixando-me ainda mais só…
Hoje sou apenas,
A sombra do que era.
Apenas um monte,
De carne e ossos,
E um sorriso amargo nos lábios,
Para manter o disfarce,
Da minha melancolia.
Agora…
Continuo deambulando,
Pelo mundo fora.
Mas não ando só,
Ando…
Sempre acompanhado,
Mais a minha solidão.
A minha sombra…
Há muito que se foi embora.
Hoje vejo…
Tudo ainda mais claro,
Vejo o amor à minha volta.
Amor…
Que ainda,
Não tinha visto,
Ou que não queria ver.
Agora junta-se outra voz…
Uma voz…
Que me quer abrir o coração.
Tenho medo!
Tenho medo que este se abra,
E escancare o meu âmago,
À vontade alheia.
Tenho medo…
De cair mais uma vez,
No logro,
No engano.
É no silencio da minha própria voz,
Que me perco todas a noites,
Sem ter alguém,
Que me escute.
Alguém…
Que me diga…
Bom dia,
Estou aqui!
Diogo Cosmo ∞
Aeroporto, Lisboa
19:42 05-03-2026
DIOGO Cosmo ♾