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Poemas : 

aos caídos da guerra

 
há no ar uma boca
com hálito de purga
que não escolhe quem levar
ao poço interior do pranto

entre quatro paredes
o linho acaricia mais um corpo nu
e as sombras somam-se
nas dunas dos dias repetidos

do ontem recortamos flores
às cegas e sem qualquer cor
como algo que ávidos colamos
(ninguém é santo)
entre a febre e um cálice de dor.

seguimos
recusando da realidade, o fim
do verso, do tom, do canto

procura-se a máscara que ajuste
o olho da providência
para tantos enganos, perdições

venham
Hórus, ou a Santíssima Trindade
porque andais, hoje
tão longe da humanidade?


 
Autor
RoqueSilveira
 
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Enviado por Tópico
IsabelRFonseca
Publicado: 05/04/2020 12:41  Atualizado: 05/04/2020 12:41
Colaborador
Usuário desde: 25/05/2013
Localidade: Algures em Portugal
Mensagens: 3021
 Re: aos caídos da guerra




entre quatro paredes
o linho acaricia mais um corpo nu
e as sombras somam-se
nas dunas dos dias repetidos

do ontem recortamos flores



Excelente poetisa RoqueSilveira


beijos

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 05/05/2020 16:46  Atualizado: 05/05/2020 16:46
 Re: aos caídos da guerra
se me deres um poema eu dou-te um beijinho.