O novo não nasce à meia-noite,
Não se revela no calendário virado,
Nem chega embalado pelo nome do ano.
Ele pede mãos sujas de tentativa
E ouvidos cansados de escutar o que retorna.
Aquilo que se repete não é erro:
É mensagem insistente,
Batendo à porta da consciência
Até que tenhamos coragem
De mudar o lugar da mobília interior.
O novo acontece quando paramos de fugir do eco
E passamos a dialogar com ele.
Quando a ferida deixa de ser evitada
E se transforma em passagem.
Não é o tempo que renova,
Somos nós,
Quando ousamos escutar com mais profundidade
E oferecer outro destino
Àquilo que sempre volta pedindo sentido.
O novo, afinal,
É o antigo compreendido
Pela primeira vez.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense