O acaso é um pêndulo cego que nos cruza. Lança-nos à rua, faz-nos esbarrar o ombro na casualidade que tem o teu nome. É a porta que se abre sem que o vento a toque.Mas a magia, essa alquimia visceral, não é um presente do céu. A magia é a causalidade que se forja com o cinzel da vontade.
É o atrevimento de sustentar o encontro, de olhar nos olhos para além do roçar. É a decisão de que essa porta aberta não se feche, de que o encontro fortuito se converta num pacto de fogo.O acaso dá-nos a matéria-prima: o rosto, a voz, o silêncio. Mas a causalidade é o arquiteto que esculpe o momento, a mão que acende a isca.
Eu, que desconfio dos dons do acaso, só acredito na geometria da intenção. Na vontade de fazer com que o encontro, que foi um acidente, se converta na única verdade necessária.