Talvez eu caminhe
de costas para o vento
e permita que ele
me vá empurrando
deixando para trás
tudo o que me prende
e com o tempo
venho postergando
Se fujo, ou me evado
como vou saber?
Se nem o meu destino
consigo prever
Em mim uma ânsia
de parir liberdade
E a busca incessante
pela luz da verdade
Mesmo que a sorte
me seja altaneira
E a morte orgulhosa
me venha buscar
dir-lhe-ei que não estou
preparada ainda
e quando estiver
me deixarei levar.
Fernanda Esteves
Setúbal