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Um momento no espaço

 
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Vai haver um momento no espaço onde as galáxias vão parar de mover. Onde a luz vai colocar a cedilha no c e dizer "não, não foi para isto que nasci". O próprio electrão vai olhar o protão de lado e dizer "pai, cadê a mãe?' E neste universo bastardo não vai haver um coitado que saiba ao que vem. Pois tudo que faz sentido, só faz se for sentido e só sentido se faz, se é que faz algum sentido. E a cedilha? "Ó mãe é para quê?" Não tem porquê. Tem apenas se for tido, mas num mundo sem sentido, o ser tido ou não ter sido, não tem de ser nem tem de quê. Pois bem. Nisto pára a galáxia e a outra após a outra. E as estrelas olham umas para as outras mudas. Não existe brilho após a morte. Só silêncio. Só a ausência do movimento. Tantos anos a explodir sem porquê. E nisto sinto a tua mão, ainda aquecendo a minha perna e me lembrando que ainda existes. E nos teus olhos me lembro que existo. E nos teu lábios eu sei que sim. E me pergunto num beijo se existe maior desejo que o bem que quero para ti. Não quero que nada acabe, não tudo, não nós. Levo a mão à tua face. Te observo, te gravo, te levo na memória. Te levo nas pontas dos dedos como se fosse um cego. Nas curvas dos teus ombros como fosses meu mapa. E eu me perco, por esta noite dentro, pois sempre me perco. E no teu colo, pela manhã me acho, pois sempre o faço.
 
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TrabisDeMentia
 
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