Sobre essa dor.
Sobre essa dor aqui dentro.
— Oh cara nobre dor,
tu não se cansas de a ti me fazer doer?
Já não cansaste de doer minhas células?
Ah, mas claro… tu habitas além destas.
O quanta impaciência… deste me mais tempo?
Não… já não suportas mais viver no limbo; precisas respirar o ar deste lugar.
Ah, mal sabe voce, cara dor… aqui, por acaso, também há de se doar a vossa dor;
e juntas somaremos duas dores.
Mas talvez a dor de ambas seja o antídoto para a dor que se chama:
Verdade.
Ah, verdade… quem foges de você sou eu?
Nobre alma, habitante de um corpo, identificado com nome e números…
números seguidos de identificação social.
Mas és esses números, nobre alma?
Ah… nobre verdade utópica.
Ah… nobre ficção científica.
Ah… nobre política.
Ah… nobre notas, e papéis, e roupas e carros e vida social e, e, e…
Cadê?
Cadê a antiga e pesada caixa de pandora?
Dá-me-la, dá-me.
Quero abri-la e libertar de vez meus fantasmas…
aqueles que pesam essa caixa lacrada.
O vida, graças lhe dou;
o vida, pelo ar que me emprestou…
Asssim sou…
Sim, sou:
A dor.
Athanís Mesmerri
Luxembourg - 14/04/2026 22:49pm