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Escrever ao som de... 2022

 
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A nossa atividade continua, com textos surpreendentes e muito inspirados. Na semana que passou, tivemos poemas de Alemtagus, AlexandreCosta, DCM_78, agniceu, Benjamin Pó, Alpha, Liliana Jardim e Aline Lima. Já falta pouco: não deixe de contribuir com o seu talento!

Está na hora de lembrar o ano de 2022.

A primeira canção chama-se "Bentivi" e é uma criação do duo brasileiro Àvuà, composto por Bruna Black e Jota.pê. Foi incluída no seu álbum de estreia, intitulado "Percorrer em Nós", conjugando uma sonoridade delicada com traços eletrónicos e ritmos africanos. Numa entrevista de 2022, deixaram esta forte mensagem: "Acho necessário nós nos humanizarmos mais, lembrarmos de que nossas lutas também são para que quem amamos viva num mundo melhor, que demonstrar afeto também é força, também é revolucionário".

A segunda canção é da cantora portuguesa Cátia Oliveira, que adotou a designação A Garota Não para o seu projeto musical. O tema intitula-se "Canção sem final" e faz parte do álbum "2 de Abril", numa referência ao bairro onde a cantora cresceu e viveu muitos anos, bem como à data em que a Constituição Portuguesa foi aprovada. Isto diz muito sobre o universo criativo desta compositora que, influenciada por nomes como José Afonso, Fausto ou Sérgio Godinho, tem desenvolvido uma voz interventiva e extremamente original.

ÀVUÀ – "Bentivi"


A Garota Não – "Canção sem final"


O som está lançado. O poema, agora, é seu.

Nota: Caso não se identifique com nenhuma das canções sugeridas, pode inspirar-se numa outra, desde que seja do ano a que se refere o post.


 
Autor
Luso-Poemas
 
Texto
Data
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Enviado por Tópico
Alemtagus
Publicado: 01/06/2026 18:08  Atualizado: 01/06/2026 18:08
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Mensagens: 4189
 Re: Escrever ao som de... 2022
Pouco me importa saber como eles te chamam
Ou como se contornaram essas curvas mortais
Que te dão ao corpo a quimera que me devora
Pouco importa ser metade d'uns que me leiam
Ou tosco posfácio de obras completas surreais
Que te folheia páginas dess'amor morto agora

Sentia saudades sem saber qual o seu sabor
Ao que sabia um doce beijo feito de abraços
Ou um passo falso que faltasse para estar aí
Contigo só dizendo tudo o que mais traz dor
Sem curtas interrogações de longos espaços
Que t'digam a palavra triste com que me traí

Fiz-me letra de um verbo de contornos crus
Verso d'poema amarrotado preso na mente
E por fim flor num jardim a lápides de ferro
Fui nada ou quase chaga dos teus olhos nus
Cerrados por retalhos dum vento indiferente
Mãos gretadas tingidas de almas qu'enterro

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