
| Enviado por | Tópico |
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| Alemtagus | Publicado: 01/06/2026 18:08 Atualizado: 01/06/2026 18:08 |
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Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 4239
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Pouco me importa saber como eles te chamam Ou como se contornaram essas curvas mortais Que te dão ao corpo a quimera que me devora Pouco importa ser metade d'uns que me leiam Ou tosco posfácio de obras completas surreais Que te folheia páginas dess'amor morto agora Sentia saudades sem saber qual o seu sabor Ao que sabia um doce beijo feito de abraços Ou um passo falso que faltasse para estar aí Contigo só dizendo tudo o que mais traz dor Sem curtas interrogações de longos espaços Que t'digam a palavra triste com que me traí Fiz-me letra de um verbo de contornos crus Verso d'poema amarrotado preso na mente E por fim flor num jardim a lápides de ferro Fui nada ou quase chaga dos teus olhos nus Cerrados por retalhos dum vento indiferente Mãos gretadas tingidas de almas qu'enterro |
| Enviado por | Tópico |
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| agniceu | Publicado: 01/06/2026 22:24 Atualizado: 01/06/2026 22:25 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/07/2010
Localidade:
Mensagens: 808
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Desandam sem andarem
Os desolados são como leopardos sem riscas de tigre. Riscados, comendo tudo menos a carne do cozido. Prostrados, com medo de meter medo até aos coelhos do zoo, fogem das cores atrás do luto. Estão manchados até por fora, levando a vida como entrudo fora de horas. Desamparados, vão apagando o risco do seu próprio focinho, com saudades do antigo umbigo. Desandam sem andarem, aparando os seus próprios suspiros do chão, sem alarme. |
| Enviado por | Tópico |
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| DCM_78 | Publicado: 01/06/2026 23:33 Atualizado: 01/06/2026 23:34 |
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Super Participativo
Usuário desde: 05/01/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 126
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Música
Em noite de lua cheia Num palacete decadente junto ao rio Entrei numa sala pintada de preto O tecto decorado com vários guarda-chuvas Ela estava no palco a cantar e a tocar guitarra eléctrica Cumprimentei-a com um aceno de cabeça e ela assentiu Fui o primeiro espectador a chegar O rosto asiático e o cabelo com franja Usava calças com padrão de leopardo O teste de som terminou Bebeu vinho e avisou que ia fumar um cigarro antes de dar início ao concerto O estilo era uma fusão de pop, rock e jazz A voz tinha uma boa tessitura, era delicada e envolvente A presença era simples, humilde e empática Estar ali a ouvi-la foi aleatório Só que nada havia de aleatório no seu talento ou graciosidade Nunca cantei, não sei tocar um instrumento Mas adoro a música Sinto-a a fluir pelas minhas veias e preciso tanto dela como alguém precisa de água numa travessia pelo deserto. Inspirado por Lika |
| Enviado por | Tópico |
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| Liliana Jardim | Publicado: 03/06/2026 08:03 Atualizado: 06/06/2026 11:21 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/10/2007
Localidade: Caniço-Madeira
Mensagens: 4527
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O Ondar do meu Querer
Pesa-me na pele o feitiço felino do teu corpo, esse vaivém de mãos sôfregas de ter, desenhando carícias num corpo louco num desassossego urgente de querer ser. Como se eu fosse mar, imagino o teu beijo desfazendo o cansaço de uma astenia latente, e na boca agitada, onde a voz se aprisiona, nasce o gemido descontínuo de ser amante. Entrego-te o meu fogo nas noites frias, e alimento a alma de sonhos alados, enquanto o tempo desliza sonolento em mim nesta cama de desejos amordaçados Na palma da minha mão levita a memória, pequenos sóis tangentes que incendeiam o olhar, e no sopro destas palavras com rimas poeto o teu corpo no eterno mistério de te amar. |
| Enviado por | Tópico |
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| Alpha | Publicado: 03/06/2026 17:26 Atualizado: 03/06/2026 17:26 |
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Membro de honra
Usuário desde: 14/04/2015
Localidade:
Mensagens: 2334
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A voz nunca será viúva
Há vozes escondidas nos nomes como lume guardado no lar vivem fundas sem sede nem fomes à espera de alguém as chamar. Nem o tempo as consegue vencer nem a cinza as consegue apagar e o que julgamos ver morrer volta sempre por elas a falar. Vai a vida mudando o que existe como o vento e brisas do mar mas há sempre uma voz que resiste ao inverno que insiste em ficar. Quem partiu deixa aberta a porta que nenhum esquecimento fechou e a saudade, por mais que nos corta não desfaz o que o amor semeou. Porque a voz que nasceu do afeto não conhece abandono nem breu fica viva no peito inquieto nunca viúva de quem a acolheu! |
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| klopes | Publicado: 04/06/2026 10:20 Atualizado: 04/06/2026 10:20 |
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Muito Participativo
Usuário desde: 15/02/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 67
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Privação do Mar
Dizem que o pão agora é um luxo opaco e confiscam os pincéis, na essência da arte. Fecham as portas da frente, temos de recusar o trinco. Querem-nos deitados na gaveta do esquecimento, e fazer do pensamento um ferro velho, calado. Mas o silêncio imposto tem fendas por onde cresce o caruncho da pergunta. A praia esquece o entardecer dos dias quentes de verão, os ventos tempestuosos que a destroem e redesenham. Apaga-se a memória da areia fina, mas fica a ferida aberta, a aventura, essa necessidade de ter mar. Mas o homem guarda um livro proibido no bolso e mastiga a raiva como quem mastiga a côdea dura. A liberdade não é um hino lírico, é o esfolar dos dedos na areia da rotina. Clamar quando a mordaça tem sabor a ferro, insistir no traço, na tela clandestina, no pão partilhado. Eles ditam o ponto final na página rasgada, mas nós escrevemos à margem, com a unha, a vontade que nenhum decreto consegue limpar. (Inspirado na canção "Canção Sem Fim", de A Garota Não) |
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| Benjamin Pó | Publicado: 04/06/2026 16:16 Atualizado: 04/06/2026 16:16 |
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Administrador
Usuário desde: 02/10/2021
Localidade:
Mensagens: 951
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agora é com a alcateia ouvi-vos aos mortos dizer procura-se e lancei o lençol sobre o corpo no deserto mas o rosto desperto por caninos de sol sob a chuva num sussurro de viúva exorta a engolir o murro de uma luva com as dores tranquem a porta não deixem entrar as flores (inspirado em "Canção sem final", de A Garota Não) |
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| AlexandreCosta | Publicado: 05/06/2026 14:53 Atualizado: 05/06/2026 14:53 |
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Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1622
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"canção sem final" - A Garota Não Parassimpaticomiméticos não existe simpatia para decreto sem acerto de tentar calar mas se a uma voz qualquer viuvez houver será o mais negro veneno na vossa teia voz que vai por trás e zás o mínimo do mimo é dedo espetado grande aos olhos no olho do co larinho a seco de pena sem pena até a voz mais pequena intoxica 05-06-2026 |
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| Aline Lima | Publicado: 08/06/2026 01:09 Atualizado: 08/06/2026 01:19 |
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Administrador
Usuário desde: 02/04/2012
Localidade: Brasília- Brasil
Mensagens: 1191
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Hábito de Pássaro passaste por aqui e a casa pegou costume de céu desde então as cortinas vivem ensaiando partida e o relógio vez ou outra esquece os pés no tempo há qualquer coisa tua na desordem das andorinhas um jeito de riscar o azul nos lugares mais improváveis feito o vento mudando de pássaro outro dia abri a gaveta dos talheres e um fim de tarde saiu voando na semana passada o espelho do corredor perdeu a parede e foi visto sobre as antenas do bairro desde então a segunda xícara nunca mais coube no armário |
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| AlexandreCosta | Publicado: 08/06/2026 09:49 Atualizado: 08/06/2026 09:49 |
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Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1622
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"Bentivi" -ÀVUÀ Canto pelos dedos de ponta a ponta a minha boca sabe cantar-te pelos dedos ave canora com sotaque exótico desisti da terapia da fala não me decanta não me abarca as asas tu que lhe adoças o bico conheces-me o canto a pique de canção com a letra toda e cada voo tem cheiro de tinta fresca amanha o sofá enquanto vou lá acima não tarda volto a recostar-me e desaperto-te o peito 08-06-2026 |