um xêro Doce,
me deixa aperreado de saudade
de ocê .
Queria poder sentir uma saudade danada
sem precisar molhar os olhos
pelas lembranças
que a vida, na marra,
me fez largar de mão,
e que acabaram virando
as recordações que carrego comigo.
Queria só
uma vida mansa,
daquelas sem aperreio,
sorrir
porque deu na telha de sorrir,
e dizer,
com a maior firmeza do mundo,
que sou feliz pra valer.
Gosto demais dos meus amigos,
visse?
De um jeito ou de outro,
viraram minha família.
Procuro nem encucar com o tempo,
vou tocando a vida
como se hoje fosse o derradeiro dia,
porque nem me avexo pensando no amanhã.
Eu vivo mesmo
é sentindo o agora,
porque o amanhã,
oxente,
talvez nem chegue.
Adoro tomar uma cachaça da boa
num friozinho gostoso,
jogado numa prosa arretada,
sem pressa de arredar o pé.
Tenho uma saudade daquelas
de ficar vendo o sol se deitar,
e pegar no sono
num cantinho ajeitado,
com uma vista bonita de se admirar.
Escutando de longe
o cantar das ondas do mar,
vendo o sol raiar devagarinho,
e com o coração querendo demais
dar de cara contigo.
um xêro Doce,
me deixa aperreado de saudade.
de ocê
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