Poemas : 

Pedra no chinelo

 


hei-de ser-vos o que esperam
ou o que não esperando, reconhecem
uma luz, uma escuridão
o chão duro, o algodão
o que vos couber
mas se for
uma pedra
no chinelo caseiro
lembrem-se
sou apenas o que bate à porta


19-06-2026


 
Autor
AlexandreCosta
 
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Enviado por Tópico
Azke
Publicado: 19/06/2026 21:53  Atualizado: 19/06/2026 21:53
Super Participativo
Usuário desde: 23/04/2026
Localidade:
Mensagens: 106
 Re: Pedra no chinelo
Um dos seus melhores, até agora e olha que há muitos por aí.
No poema, eu li algo que se flutuasse sob os olhos de nem se ver, um espectro da palavra (viajei..) '-'
Muito foda!


Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 21/06/2026 19:45  Atualizado: 21/06/2026 19:45
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 2322
 Re: Pedra no chinelo
Como vate a ler a sina começa este poema.
Ou talvez seja um aviso.

Entre versos que rimam, corremos também o uso de antíteses, apenas para dar algum brilho, ou paramento.

Esta esparsa tem duas partes divididas, irmamente.

Tendo dez versos, podemos então dizer que os dois quintetos dizem-nos coisas diferentes, ou talvez, complementares.

Mas começa o texto com esperança.
O que nos espera essa incógnita que nos persegue, é o que o sujeito poético julga ser.
E se não for esperança, é o que se conhece duas (ou mais) vezes.

O terceiro verso dá-nos a escolher a "...luz...", uma metáfora rica que pode referir sabedoria, calor, expansão; ou a "...escuridão..." mais relacionada com a sombra, com o repouso, ou o frio.
É à vontade do freguês.

Gosto de "...algodão...", pode ser doce. Fazer tecidos. Limpar feridas ou maquilhagem. Em rama ou em fio, foi o objeto de escravatura moderna. No chão.
O "...chão duro..." que nos dá base, alicerce. Mas magoa quando nele caímos desamparados.
Decisão difícil.

"...mas se for..." começa a segunda metade.
E a suposição ocupa o poema todo porque obedece a outra hipótese (terceira).

A "...pedra
no chinelo..." foi a escolha do título e aparece, por fim e de surpresa.
Mais parece com uma pantufa por ser "...caseiro...", símbolo claro de suavidade (como o algodão supracitado), em vez do sapato que nos envolve na expressão popular. Sendo, nesse caso, o incómodo ainda maior devido ao contraste.

Aliás todo o poema é contrastado.

Somos deixados, nos dois últimos versos, com um aforismo e uma moral que acho que se conhece duma forma muito universal: Cuidado com o que semeias...

Uma revisitação da lei do karma que me encheu as medidas.

Obrigado.

Favoritei.

Abraço.

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