agasalho
o nome
e o verbo
à custa de poemas ponho panos quentes
na minha dor
na raiva
nas várias sombras de dúvidas
nas incertezas
com a benevolência
que trajo o pensamento
trago
a estranha curva do chuto
incito ao caos,
à insubordinação
vivo
o verbo
e o adjectivo
nasço no meio
cresço por dentro
reproduzo-me e traduzo-me - creio
espero não passar
dum passageiro apenas, a penas
brilho
estrilho
vou à luta para me perder
ganhar, talvez, um pouco de juízo.
Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.
Eugénio de Andrade
Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.