Poemas : 

roupa interior

 
agasalho

o nome
e o verbo

à custa de poemas ponho panos quentes
na minha dor
na raiva
nas várias sombras de dúvidas
nas incertezas

com a benevolência
que trajo o pensamento
trago

a estranha curva do chuto
incito ao caos,
à insubordinação

vivo

o verbo
e o adjectivo

nasço no meio
cresço por dentro
reproduzo-me e traduzo-me - creio

espero não passar
dum passageiro apenas, a penas

brilho
estrilho
vou à luta para me perder

ganhar, talvez, um pouco de juízo.



Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.

 
Autor
Rogério Beça
 
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