Poemas : 

roupa interior

 
agasalho

o nome
e o verbo

à custa de poemas ponho panos quentes
na minha dor
na raiva
nas várias sombras de dúvidas
nas incertezas

com a benevolência
que trajo o pensamento
trago

a estranha curva do chuto
incito ao caos,
à insubordinação

vivo

o verbo
e o adjectivo

nasço no meio
cresço por dentro
reproduzo-me e traduzo-me - creio

espero não passar
dum passageiro apenas, a penas

brilho
estrilho
vou à luta para me perder

ganhar, talvez, um pouco de juízo.



Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.

 
Autor
Rogério Beça
 
Texto
Data
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Enviado por Tópico
Luxena
Publicado: 13/08/2026 23:44  Atualizado: 13/08/2026 23:44
Da casa!
Usuário desde: 07/03/2025
Localidade: Brasília
Mensagens: 340
 Re: roupa interior
Não será passageiro de forma alguma, porque este escrito tirou as palavras da minha boca. Eu estou torcendo toda a minha toalha poética neste exato momento. Abraço.

Enviado por Tópico
Aline Lima
Publicado: 15/08/2026 00:56  Atualizado: 15/08/2026 00:56
Administrador
Usuário desde: 02/04/2012
Localidade: Brasília- Brasil
Mensagens: 1236
 Re: roupa interior p/ Rogério Beça
Olá, Rogério.

Fiquei pensando nesse “agasalho”. A escrita aqui parece fazer um pouco de tudo: cobre a dor, provoca o caos, traduz, desarruma. E esses jogos com as palavras me agradaram muito, porque elas também parecem pouco dispostas a ficar quietas no lugar que lhes deram. No fim, não sei se veio o juízo, mas o percurso com certeza valeu.

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