No fraguedo alto onde o Douro canta e desespera
Miranda ergue a vetusta torre à luz da alvorada
pedra a pedra tem a alma bem guardada
que o vento traz do rio num penhasco que não quebra.
Trouxe gente ambiciosa mas deixou uma Princesa
Dom Dinis das arcadas da Rainha fez muralha
mas a fúria de Castela não tolerou a malha
foi mitra abandonada e espada em guerra acesa.
Mas ainda poisam aves nas memórias vagas que perduram
na voz das velhas pedras que se prendem às lareiras
e que as armas dos brasões 'inda seguram...
E eu, aqui, de tão perto, por te ver à beira
do abismo penso se o castelo é ruína, se é ternura
ou será a Alma de Miranda revelada e verdadeira!
Em Miranda do Douro
Agosto 2026
Ricardo Maria Louro