Arrefece,
esquece,
anestesia,
a languidez do dia
de uma hora morta.
Viver por uma fresta de alguma porta,
(Entre o ser e o não ser,
no lusco-fusco desta agonia torta)
Será que o dia só existe
depois do noitecer?
(Será que isso importa?)
Ahhhh essa hera venenosa
errante prosa do desencanto...
De letras teço o manto que cobre
a loucura.
Em palavras?
Sou só textura...
Não há cura para
a nudez da alma.
Escrevo,
pois sem escrever
o desassossego
come a minha calma.
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