Poemas : 

sal e cinza

 
a espuma desenha o rosto
e desdenha o corpo
calado
que o interpela
como um soldado
de sentinela
que acordasse morto
no seu posto

 
Autor
Benjamin Pó
 
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Enviado por Tópico
Alemtagus
Publicado: 27/12/2025 21:52  Atualizado: 27/12/2025 21:52
Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 4521
Online!
 Re: sal e cinza p/ Benjamin Pó
Não são muitos os que atingem a maioridade (maior idade) poética que lhes permite tratar a morte assim, por tu. Adormecemos devagar, um pouco a cada dia.


Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 07/07/2026 07:26  Atualizado: 07/08/2026 17:52
Colaborador
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Localidade:
Mensagens: 2341
 Re: sal e cinza/cheiramázedo
7. Terramortos


E tremeu mais uma vez a terra,
de quando em vez ela só treme,
barco desgovernado sem leme,
à deriva, derivado, erra.

Em todo lado se desenterra,
procura-se um gemido se geme,
e ainda que trema, o que se teme,
é só mais um tremor que nos cerra.

Está na natureza do Homem não
respeitar a vida do semelhante.
Vingança e poder é o que quer.

Pode tremer e ser ele a explosão,
numa bomba nuclear gigante.
É a sua triste maneira de ser.


In Dez Sonetos da Guerra na Crimeia de cheiramázedo

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