Amor, Sentenciado!
Deixem vós que "Amor" fale,
diga que tormentos m' impôs,
que palavras usou d' enganos?
Deixem vós que "Amor" declare
porque trapaceou meu coração
e me raptou a alma e a razão?
Porque "Amor" me subtraíu sonos,
me contranbandeou todos os sonhos,
e me feriu no meu ser, fatalmente?
Porque m' entregou infeliz cativo
no abraço carinhoso de minh' amante
e me saciou de seus doces beijos?
Que "Amor" seja sim, um sentenciado,
em perpétuo esforço e viço empenho
na união dos amantes, eternamente.
Que "Amor" transforme horas em dias,
dias em meses e anos de felicidade.
Jamais "Amor" poderá ser perdoado!
Deixem que "Amor" sofra julgamento,
não me façam juiz em causa própria,
nem júri de acusação com fundamento.
Eu, "vítima", retiro todas as queixas,
esqueço humildemente as suas afrontas,
porém, jamais inocentem este "Amor"!
Poeta sem Alma
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