O silêncio verte pelas fendas da memória
trazendo os sons que alguém guardou
sou o rascunho de uma antiga história
que o tempo, ainda não apagou.
Ouço o bater das horas nas folhas branca
onde o silêncio se instala sem pedir licença
há uma insistência lenta nas horas vazias
e uma silhueta antiga que se faz presença.
Abro as mãos e deixo que o vento recolha
os segredos que a boca não soube gritar
cai no chão a memória, como uma folha
pétala cega que muito se cansa de esperar.
Somos feitos de cinza e de vento
poesia oculta que a alma guardou
âncoras soltas num mar de esquecimento
onde a tempestade erguida não me calou.
Mantem-se o verso nu, preso ao papel
a olhar o relógio que não quer abrandar
esta busca constante por uma paz estável
enquanto a realidade persiste em te lembrar.
Escrito a 25/07/26