A finitude a pairar no ar
O momento inevitável que nos leva de volta ao nada
Qual terá sido a marca que ficou
Vivemos ou passámos pela vida
E depois do mundo terreno
Perdurarão as nossas memórias
Quando nos juntarmos ao infinito
Resta o descanso e a paz de espírito
Que aventura frenética chamada vida
Hoje soube de uma partida
Um intelecto genial e uma alma atormentada
Um homem singular
Daqueles que não cabem em estereótipos
Viveu o triunfo e o desastre
Esses malditos impostores
Acreditava no transcendental e apreciava o desapego ao ego
Foi ostracizado pela sociedade
E no fim, ainda tentaram fazer um filme sobre ele
Mas a sua consciência não estava à venda
Nem era como um coitadinho
Que pretendia ser recordado
No final talvez tudo o que fique sejam as coisas simples,
Tal como uma citação de um autor anónimo que vinha no interior de um bombom italiano,
O tempo nunca poderá destruir o que a afeição construiu.
31 de Agosto