Infelizmente,
A sua história é indgna de contar.
Não há episódios de ventura.
Nenhuma vitória pessoal.
Poucas coisas que sejam de orgulhar.
Nada de aplausos.
Nada que se tenha em conta maior.
Indignamente passeou pelas ruas.
Estupidamente viveu seus amores.
Nenhum amor anterior para se ter saudades.
Nenhuma linha de sabores.
Nenhuma experiência que lhe cause alegria.
Pois, se viveu, foi com dissabores.
Foras omêricos.
Excursões amorosas não as teve.
Só tristes decepções.
Certo momento da triste vida, desistiu
Certo momento, não quis amar.
Passeou sem deixar uma simples lembrança.
Só digressões, idas e voltas
Descaminhos do rumo.
Idas por engano.
Caminhos tortuosos e sem saida.
Sem possibilidades de desviar.
Mesmo querendo só lhe restava os Abrolhos.
Só lhe restava os caminhos pedregosos.
Triste criatura sem destino.
Sem futuro aparente.
Só viver.
Sem pensar.
Só agir, sem lembrar.
Para ele a vida é um eterno esquecer.
Sem lembranças, sem dores.
Estranhamente, essa criatura que deveria praticar horrores,
Desavenças e desventuras.
Resumiu-se a não incomodar.
Não revidar o mal.
Parecia covardia.
Mas, é bondade.
Parecia desleixo,
Mas, é misericordia.
Se vingasse todas as dores que sofreu,
Teria que matar por gosto.
Mesmo sofrendo, desejou o bem.
Mesmo magoado, cuspido e machucado.
Não desejou mal.
Talvez só lhe reste a covardia de a morte a ele não se achegar, acompanhar.
Contribuir com poemas e trocar conhecimentos
poema explora o contraste entre o fracasso exterior e a nobreza interior. À primeira vista, apresenta-se a biografia de alguém cuja existência parece irrelevante, frustrada e desprovida de grandes feitos ou amores marcantes. No entanto, o ápice do texto revela que essa "existência apagada" não gerou rancor ou maldade, mas sim uma atitude de resiliência passiva, misericórdia e recusa em perpetuar a violência.