Poemas : 

Entre catedrais e ravinas

 


Existem silêncios que se erguem

como catedrais.

Vastos

vertiginosos

onde a alma se acende em claridade

e cada pensamento encontra o seu altar.



Mas há outros que nos rasgam.

Fendas antigas

onde ecoa apenas o peso do impronunciável

monólogos que nos empurram para dentro de ravinas sem nome.



São silêncios em que o mundo se retrai

os poentes afastam-se

e a noite aprende a falar por nós

com uma voz que não escolhemos.



Ainda assim

caminhamos entre eles.



Entre a luz que nos amplia

e a sombra que nos comprime

sabendo que cada abismo

pode ser também um regresso.



Porque

às vezes

o silêncio fere.

Mas outras vezes

devolve.



E

no seu fundo inesperado

uma claridade pequena insiste em não desaparecer.





 
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idália
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Enviado por Tópico
Alpha
Publicado: 28/07/2026 18:51  Atualizado: 28/07/2026 18:51
Membro de honra
Usuário desde: 14/04/2015
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 Re: Entre catedrais e ravinas
Olá, Idália

Nas ravinas da alma a dor deixa sinais
E o silêncio profundo nos convida a descer
Mas dos fundos sem nome dos lugares abissais
Uma tênue luminosidade insiste em permanecer

Entre catedrais e ravinas o silêncio revela a sua dupla face, eleva e fere, e por vezes, devolve-nos aquilo que julgávamos perdido!

Abraço

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