Poemas : 

Entre catedrais e ravinas

 


Existem silêncios que se erguem

como catedrais.

Vastos

vertiginosos

onde a alma se acende em claridade

e cada pensamento encontra o seu altar.



Mas há outros que nos rasgam.

Fendas antigas

onde ecoa apenas o peso do impronunciável

monólogos que nos empurram para dentro de ravinas sem nome.



São silêncios em que o mundo se retrai

os poentes afastam-se

e a noite aprende a falar por nós

com uma voz que não escolhemos.



Ainda assim

caminhamos entre eles.



Entre a luz que nos amplia

e a sombra que nos comprime

sabendo que cada abismo

pode ser também um regresso.



Porque

às vezes

o silêncio fere.

Mas outras vezes

devolve.



E

no seu fundo inesperado

uma claridade pequena insiste em não desaparecer.





 
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idália
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