Aos três anos...
soltaram a minha mão.
Foi onde
as marcas da minha vida
começaram.
A solidão
se tornou a minha mãe.
E os maus-tratos
se tornaram
meu pai.
Como não crescer
com um coração vazio?
Em todos os dias...
eram julgamentos.
Caridades
com rostos virados.
E piedades
que vinham em palavras...
"Coitado."
Milhares de pessoas
passavam por mim,
todos os dias.
E aqueles
que conseguiam me ver...
eram
como um pingo de suor
no deserto.
Não temos identidade.
Comprovante de residência.
E mal sabemos
como somos
em retrato.
Pois,
nas ruas,
não existe
ego
ou caprichos de beleza.
Apreciamos sorrisos...
mesmo que
nossos sorrisos
sejam apenas
por comida,
ou cobertores
de noites frias...
deixados
por pessoas
que passam,
de vez em outra,
em nossas vidas.
As ruas,
em todo o mundo,
são referências...
onde vivem
pessoas
que não existem.
Apenas vivem.
Como não crescer
com o coração vazio?
Aos três anos...
soltaram a minha mão.
Foi onde
as marcas da minha vida
começaram.
A solidão
se tornou a minha mãe.
E os maus-tratos
se tornaram
meu pai.
Como não crescer
com um coração vazio?