nestes dias do fim
quando o sol se põe, ao longe, entre o tesouro das cores como lanças de anjo
não sinto tristeza
a festa da cor nunca me atraiu
admiro a beleza das pedras cinzentas
quando alguém recusava o amor se despenhando com as águas
acredito que nas asas de um pássaro há uma espécie de lágrima triste
vermelha de sangue
um voo que não admite que tu e eu nunca mais
e por isso
as pedras erguidas e apontadas
tão sólidas de certezas ancestrais
neste fim de dia
de quando tudo finda
moro numa parede na forma de uma osga,
à noite
quando os morcegos se aproximam
e a janela do quarto perra não fecha.