Ela andava por aí pensando que, em algum lugar, encontraria alguém que fosse, assim, como casa.
Mas, aos poucos, ia desistindo.
Subia uma náusea, uma vontade de chorar, uma dor vazia dessas que tomam o corpo inteiro e obrigam a gente a viver um dia de cada vez, apenas para não desabar. Ia como quem tenta sobreviver a si mesma, aos próprios escombros, ao que restou depois de tantas demolições.
Ia acalentando suas rachaduras, suas cicatrizes, suas feridas ainda abertas, como se fossem crianças órfãs num abrigo, esperando algum remédio contra o frio de não pertencer a nada nem a ninguém — a não ser a si mesma.
Colecionava, agora, vulnerabilidades na estante.
Olhava para cada uma delas e sentia vontade de socá-las, como se cada ferida tivesse um rosto específico.
Já não fazia questão de ser gentil com discursos que não fossem honestos.
Já não fazia questão de quase nada.
De ninguém.
Dizia adeus como quem vomita.
Sta. Rochaaa.