Poemas : 

Em pretérito

 


Pergunto-me quem fui.



E o silêncio abre-se

lento

como se a memória tivesse de atravessar

esta neblina matutina

para encontrar o próprio rosto.



Fico muda

com o tempo a pousar-me nos ombros

sem que eu entenda

se aquilo que ele carrega

será leme

ou armadura.



A resposta cresce

orgânica

num verbo que respira fundo

antes de existir



enroscado na cegueira de um nome

que só sabe conjugar-se em pretéritos imperfeitos.



E há uma baba de presunção

em todos os desígnios.

Uma vontade

de fixar o que escapa

de ordenar o que nunca Se deixou ordenar.



Talvez por isso

permaneço quieta.



Porque ainda não aprendi

a escrever o que fui



no pretérito perfeito

de palavras convergentes.




 
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idália
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