Olhamo-nos fixamente
a sentirmo-nos indefesos por dentro
da limpidez do olhar.
As mãos a procurarem
marcas de uma verdade moldada
num clarão que rasgou o corpo
e eu impreparada
para o estranho rosto do silêncio.
Porque tudo gera silêncio
à nossa volta
aves pedras vento
e as palavras são meras conjeturas mastigadas.
Frente à casa
as árvores da memória
pilares daquele tempo em que a luz
se estende e desloca para o sono da terra a brevidade
das folhas mortas.
Olhamo-nos fixamente. E sob setembro a decair
cai a sombra no teu rosto
como um espelho. Como um espelho.