o bicho comeu
ele está me mastigando
enquanto observa toda a parede colorida
será que ele morreu?
não dá para suportar mais
esse clima de funeral
mas, tanto faz
você nem olha na minha cara de tacho
joguei as minhas mãos para o céu
para ver se ele me perdoa
ou se ele fica cinza de novo
fechando a cara para mim com um forro
e se eu tirasse um grão
do seu rosto?
e se o sangue não
fosse reposto?
tamborilo minhas coxas com as unhas
que deixei crescer para ti
eu te faço uma oferenda para sentir
mais uma vez a sua mão
nesse mar marejado de pupilas
dilatadas, fechadas, porque
eu acho que você ainda me ama
apesar de tudo ser uma previsão
É o ferrão quem perturba a abelha.
Depois do aniversário de "Paradoxo do Monte", convido vocês a lerem a atualização, passado um ano desde quando escrevi. | Escrito por mim no dia 26/08/2026 em Brasília-DF.