Habito paredes nuas
nos corredores da memória. Sou
neblina
sílaba vagarosa
aguarela de pássaros
e vinha-virgem
véu de buganvílias
debaixo deste alpendre
onde o tempo para. Descalça
parto por entre o emaranhado das folhas
transponho a doce luz aberta nas sombras. Nítida
a crescente harmonia do silêncio. Abrigo-me
no azul esvoaçante. Desperto
leito
rio
pedra
espuma.
E lá
no verde-água distante
onde moram as gaivotas
clareia o poema
em círculos de céu
e de vento.
Chamam por nós.