PARA ALGUÉNS
Escrevo, não sei para quem ou quê.
Talvez como as mensagens em garrafa
Que pelos sete mares se geografa
Das rotas d'Oceano um dossiê.
Às vezes me permito por mercê
Uma escrita que alhures desabafa;
N'outras, deito nas letras minha estafa,
Como enviasse angústias a quem lê.
D'um modo ou d’outro, lanço mundo afora
Rimas que madrugando fiz à aurora
Ou até do coração as duras leis.
Na falta d'haver público ou motivo
Trato com deferência quanto vivo
E leitores ocultos como reis.
Betim- 04 10 2026
Ubi caritas est vera
Deus ibi est.