digam-me se tenho ou não razão
e a razão que digo que eu tenho
é uma questão minha, opinião,
e não tenho vantagem, ou ganho
será tudo posse ou é tudo pago,
no fundo, na morte temos nada,
prá minha sepultura nada trago,
e tudo deixo no meio da estrada
ou
tudo o que existe ser meu pode,
o céu é meu, assim como o sol,
o mar, os rios, e quem me fode,
é meu tudo o que é duro e mole
aparentemente ele há sem preço,
e isso até é o que eu mais gosto,
um amigo, família, o recomeço,
é para isso que eu pago imposto
Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.
Eugénio de Andrade
Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.
O título tem direitos de autor.
Ele pertence a Alemtagus, e encontra-se no 14º verso do poema Evangelho Segundo a Vida [8] (193ª Poesia de um Canalha).
Agradeço a inspiração.