Poemas : 

Sementes e janelas

 

Escreves prata

e o brilho inquieto permanece nas mãos

como um rumor de fuga

que o gesto não alcança.



Há fragmentos que recusam abrigo.

Correm.

A pele

procura a sua própria nascente.



As sombras que inventas não escurecem.

Abrem-se.

Sementes insubmissas

a rasgarem o silêncio

à procura de uma janela

onde a primavera ainda respira.



Falas de olhos

onde o tempo se extraviou.

Talvez o tempo seja apenas

um viajante distraído

que regressa

quando a maré o chama pelo nome.



E se as estradas são pólen de lua cheia

cada passo é já um astro

a desdobrar horizontes

sobre o mar que nos pensa.





 
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idália
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