O social é de todos.
É fácil falar sobre economia, crescimento, desenvolvimento e futuro.
Mais difícil é olhar para quem ficou para trás e perguntar:
Esse desenvolvimento também chegou até ele?
Existe algo que me incomoda na maneira como enxergamos os programas sociais e as políticas públicas: a associação quase automática entre eles é a pobreza.
Mas será que um programa social, pelo fato de atender às classes menos favorecidas, deve ser reduzido à condição de um programa para pobres?
Será que uma política pública perde seu valor por atender prioritariamente a quem mais precisa?
Um programa social pode ter como objetivo ampliar oportunidades, promover autonomia, garantir direitos e oferecer condições para que pessoas e famílias construam uma vida melhor. O combate à pobreza pode fazer parte disso, mas não define, por si só, toda a sua finalidade.
O mesmo acontece com as políticas públicas. Saúde, educação, saneamento, moradia, cultura, esporte e tantas outras áreas são fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade.
Algumas políticas atendem a todos. Outras precisam priorizar determinados grupos, justamente porque as necessidades não são iguais e as oportunidades também não.
Tratar de maneira diferente quem tem necessidades diferentes não significa desvalorizar ninguém. Significa reconhecer a realidade e buscar mais equilíbrio.
Por que, então, associamos tantas vezes o social à pobreza, como se cuidar de quem mais precisa fosse um sinal de fracasso, e não uma responsabilidade de toda a sociedade?
Uma sociedade desenvolvida não é aquela em que ninguém precisa de políticas sociais, mas aquela que compreende a importância de garantir direitos, ampliar oportunidades e não abandonar ninguém pelo caminho.
É fácil falar em crescimento. Mais difícil é compreender que o desenvolvimento precisa alcançar as pessoas.
Porque o social não pertence apenas aos mais pobres. O social diz respeito a todos nós.
O social não é um problema de alguns. É uma responsabilidade de todos.
Fcalmeida