No abismo das horas sem corpo,
escorre um eco sem boca, uma saudade do nada.
Um ângulo cego de ar
morde a geometria do vácuo.
Não há pedra, não há voz:
apenas a fratura de um instante,
onde a cor do imóvel
desenha um sulco no invisível.
A ausência pesa, estilhaça-se
em vértices de pó e poeira clara,
enquanto o tremor de nada
vaza pelas gretas da forma.
E o nada se apresenta em terno e gravata, apenas me olha.
E no centro do espaço suspenso,
uma vertigem sem nome
se dobras sobre si mesma —
e permanece.
Renata