Poemas : 

Ausência do nada

 
No abismo das horas sem corpo,
escorre um eco sem boca, uma saudade do nada.

Um ângulo cego de ar
morde a geometria do vácuo.
Não há pedra, não há voz:
apenas a fratura de um instante,
onde a cor do imóvel
desenha um sulco no invisível.

A ausência pesa, estilhaça-se
em vértices de pó e poeira clara,
enquanto o tremor de nada
vaza pelas gretas da forma.

E o nada se apresenta em terno e gravata, apenas me olha.

E no centro do espaço suspenso,
uma vertigem sem nome
se dobras sobre si mesma —
e permanece.

Renata

 
Autor
RenataMontiel
 
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