Na escuridão, alguém gritou meu nome.
Eu respondo: quem é?
Sou o vento de uma madrugada quente, querendo te tocar,
mas a escuridão ciumenta me impede.
Cheia de ciúmes sombrios, ergue-se entre nós, impedindo que minhas mãos alcancem o calor da tua pele e soprem teus loiros cabelos.
Talvez não haja empecilho,
apenas sombras inventando fronteiras.
Se tu, vento, conheces meu nome,
que atravesse a escuridão sem procurar caminhos.
Há encontros que não precisam de mãos,
nem de luz —
basta o instante em que a noite
já não consegue esconder
aquilo que o coração revela.
Então, senti o toque frio em minha pele,
meus cabelos se ergueram —
era o vento, tímido e envergonhado,
que chegou sem pedir licença.
Mas, atrevido,
demorou-se em meu rosto
e, num instante de silêncio,
pousou seus lábios nos meus.
Renata