BELVEDERE
Sem ti, sem sentido tenho andado.
Mas de noite, à luz pálida da lua,
Sigo te procurando pela rua
Até topar mirantes, aluado...
E é a olhar para a lua extasiado,
Que passo a madrugada em ânsia crua.
Mais amiúde a pena então cultua,
Teu rosto n’um sorriso enluarado.
Quem me vê não entende a devoção
Com que busco da lua o seu clarão,
Solitário, em noite alta, a versejar.
É que não podem ver tudo o que vejo:
Por sobre a lua branca de desejo,
Eis os teus olhos lindos a me olhar!
Belo Horizonte – 12 12 1991
Ubi caritas est vera
Deus ibi est.