
“Quero fazer amor contigo porque acho graça no teu sorriso.”
Te odeio por isso.
Teus olhos são tão cínicos que me ardem.
Tenho calor na espinha
que me sustenta.
E me sobe, sei lá, um medo.
Tenho medo de me perder de mim.
Já tens o meu mapa.
Sabes o quanto sou tua
e que tudo o que tenho para te dar
é só teu.
Meu mel é teu.
Meu medo é teu.
Meu frio é teu.
Maldito.
Quero fazer amor contigo.
Mas não me engravides.
Não quero. Não posso.
Só do amor
que já sinto por você.
E quero te engravidar de mim.
Mas...
Me perdoa,
não quero mais filhos.
Tu não me amarias louca,
insegura.
Não amarias os meus excessos,
nem o cansaço que sinto
das minhas próprias neoroses.
Não amarias os meus olhos fundos,
nem o meu cheiro de leite.
O teu amor tem um limite.
Eu sei que tem.
Mas, sim,
quero fazer amor contigo.
Confesso-te, porém,
que tenho medo de não regressar de ti.
Porque sei o quanto
de mim fica contigo.
Sei o quanto roubas de mim,
o quanto me ausentas
do meu próprio corpo.
Mas...
Quero fazer
amor
contigo.
Apenas
contigo.
Talvez hoje.
Talvez, sei lá, sempre.
Mas...
Não engravides
o meu coração
se não podes me ter
dentro de ti.
Porque eu tenho frio.
E ele arde.
Sta. Rochaaa.
"Quero fazer amor contigo"