na minha mão
tenho uma mão cheia de nada
no punho fechado
guardo ar e um segredo
meio de medo
guardado
se pudesse, fugia,
peixe esquivo
ave que voa
bicho do mato atento e vivo
ao cheiro a pessoa
- no fundo do balão
vou para a minha mão -
no ensino de estar quieto
a primeira lição
é dizer não, em concreto
a boca seca
olhar em frente
tremer o temor
temer o tremor, ter-lhe amor
em que se sente e se peca
chorar de tanto rir
rir do tanto chorar
começar
por tudo se partir e repartir
e
partir
para outro lugar
Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.
Eugénio de Andrade
Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.