Poemas : 

aprender a apreender

 
na minha mão
tenho uma mão cheia de nada

no punho fechado
guardo ar e um segredo
meio de medo
guardado

se pudesse, fugia,

peixe esquivo
ave que voa
bicho do mato atento e vivo
ao cheiro a pessoa

- no fundo do balão
vou para a minha mão -

no ensino de estar quieto
a primeira lição
é dizer não, em concreto

a boca seca

olhar em frente

tremer o temor

temer o tremor, ter-lhe amor

em que se sente e se peca

chorar de tanto rir

rir do tanto chorar

começar

por tudo se partir e repartir

e

partir

para outro lugar


Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.

 
Autor
Rogério Beça
 
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