o poeta ataca as teclas
por gatilho a inspiração
desapertada na gravata
o olho de gafanhoto
do corretor sublinha o erro
com fio de cobre ou cobranto
o dedo fica suspenso
de olhos coloridos na maçã
e o verso termina
enforcado numa vírgula
a ficha arrancada no chão
desenhando o álibi
no corredor o poeta suspeita
das próprias costas curvadas
dentro e fora do silêncio
a luz do ecrã continua
a escurecer o quarto
verde contra negro