Poemas : 

presumível inocente

 
o poeta ataca as teclas
por gatilho a inspiração
desapertada na gravata

o olho de gafanhoto
do corretor sublinha o erro
com fio de cobre ou cobranto

o dedo fica suspenso
de olhos coloridos na maçã
e o verso termina

enforcado numa vírgula
a ficha arrancada no chão
desenhando o álibi

no corredor o poeta suspeita
das próprias costas curvadas
dentro e fora do silêncio

a luz do ecrã continua
a escurecer o quarto
verde contra negro

 
Autor
Benjamin Pó
 
Texto
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