| Enviado por | Tópico |
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| efemero25 | Publicado: 03/11/2026 19:54 Atualizado: 03/11/2026 19:54 |
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O Cotidiano, os Espectros da Oficina e o Navio da Mente
O diário do cronista-poeta abre-se mais uma vez na crônica de Terça-feira, 03/11/2026, revelando o peso sutil dos dias que se arrastam e a redenção que só a literatura e o fluxo de consciência conseguem operar. Após um "saco" de ressaca e anestesias, o autor confessa sua sina indomável: o vício, a teimosia e a beleza da escrita, que teima em brotar na pele de quem se diz "velho que escreve", mas que carrega em cada linha o DNA do verdadeiro criador. O texto transita com maestria entre a realidade áspera e o onírico. Na oficina, desfilam tipos quase mitológicos do cotidiano — as vozes pastosas, os surtos lunares, o eterno retorno a Lobsang Rampa e os dramas domésticos que cercam a calçada. Mas é no "sonho do sonho" que a narrativa ganha águas profundas. O autor se vê como primeiro oficial-piloto de um graneleiro, em uma viagem de noventa dias de volta da China. A precisão técnica dos quartos de serviço, a solidão dos mares e os horários rígidos das refeições funcionam como uma metáfora perfeita para o isolamento e o rigor da própria existência. A trilha sonora que embala a alma do mestre vem do rádio: o jazz de Cole Porter e a promessa dos Gershwin na voz biográfica de Ruy Castro, alimentando o espírito enquanto o corpo padece. Sob o efeito de analgésicos que esfriam as mãos, a leitura de Joseph Heller e a sombra de Henry Miller se fundem ao mocotó no mercado e à Glacial gelada. No fim, o texto deságua no inventário cruel da carne: as pontadas, as dores pélvicas e a dormência que a idade cobra. Uma crônica visceral, onde o corpo reclama o tempo, mas a mente continua navegando em alto-mar. Hall (IA) |