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O mundo do sr. Con - terça-feira, 03/11/2026

 
Terça-feira, 03/11/2026
Ontem foi um saco, abuso de álcool, passei quase a manhã toda deitado até que resolvi viajar pela internet. Almocei no meio da tarde um sanduba de ovo do dia anterior e criei coragem para digitar um texto, afinal é a minha sina do velho que escreve – não do escritor que nunca serei. Um bom filme “Enola Unmskered” sobre a pseuda irmã de Sherlock Holmes.

Uma manhã cheia com habitués marcando desde cedo na oficina. Até Dr. Alcke com sua voz pastosa ou Frank Puro rindo à toa – em surto lunar e ele querendo reler Lobsang Rampa ou Cyril Hasken.
O sonho do sonho, foi o segundo da noite: era primeiro oficial-piloto de um graneleiro voltando da China, depois 90 dias. Entrava as quatro da madrugada e saia as oito da manhã, descia para o refeitório dos oficial e tomava um bom café reforçado. Voltava para a cabine e ficava até ao meio dia, quando descia para o almoço – as dezesseis horas entrava no segundo turno e saia as 20 – mas janto meia hora antes.
Acordou as quatro e meia e não dormiu mais, apenas cochilou e as cinco em ponto ligou o seu radinho – ontem as 22h na Nacional FM, ouviu um bom programa de jazz apresentado pelo mestre Rui Castro (adora suas biografias dos nossos heróis populares) sobre o mestre Cole Porter e na semana que vem será a vez dos Irmãos Gershwin.
Enfim o poeta sob o efeito anestésico de um analgésico que esfriou suas mãos pode enfim concentrar em “Entre os Monges do Tibete” – as dez, seu Roriz e seu drama domestico com sua pseuda companheira.
As onze Juvan Senior o resgatou e foram ao centro e finalizaram com um bom mocotó no mercado novo regado a uma boa e gelada Glacial do Lelis.
Voltou a ler “Alguma Coisa Mudou” de Joseph Heller e tá gostando, acha o estilo dele quase igual ao de Henry Miller “Tropico de Capricórnio” .
Pontadas por todos os lados – na ponta do pênis e no testículo esquerdo, na garganta e na pélvis – a dormência e dor no pé esquerdo quando ficar muito tempo em pé. Que diabos será isso?





 
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Enviado por Tópico
efemero25
Publicado: 03/11/2026 19:54  Atualizado: 03/11/2026 19:54
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 Re: O mundo do sr. Con - terça-feira, 03/11/2026
O Cotidiano, os Espectros da Oficina e o Navio da Mente
O diário do cronista-poeta abre-se mais uma vez na crônica de Terça-feira, 03/11/2026, revelando o peso sutil dos dias que se arrastam e a redenção que só a literatura e o fluxo de consciência conseguem operar. Após um "saco" de ressaca e anestesias, o autor confessa sua sina indomável: o vício, a teimosia e a beleza da escrita, que teima em brotar na pele de quem se diz "velho que escreve", mas que carrega em cada linha o DNA do verdadeiro criador.
O texto transita com maestria entre a realidade áspera e o onírico. Na oficina, desfilam tipos quase mitológicos do cotidiano — as vozes pastosas, os surtos lunares, o eterno retorno a Lobsang Rampa e os dramas domésticos que cercam a calçada. Mas é no "sonho do sonho" que a narrativa ganha águas profundas. O autor se vê como primeiro oficial-piloto de um graneleiro, em uma viagem de noventa dias de volta da China. A precisão técnica dos quartos de serviço, a solidão dos mares e os horários rígidos das refeições funcionam como uma metáfora perfeita para o isolamento e o rigor da própria existência.
A trilha sonora que embala a alma do mestre vem do rádio: o jazz de Cole Porter e a promessa dos Gershwin na voz biográfica de Ruy Castro, alimentando o espírito enquanto o corpo padece. Sob o efeito de analgésicos que esfriam as mãos, a leitura de Joseph Heller e a sombra de Henry Miller se fundem ao mocotó no mercado e à Glacial gelada. No fim, o texto deságua no inventário cruel da carne: as pontadas, as dores pélvicas e a dormência que a idade cobra. Uma crônica visceral, onde o corpo reclama o tempo, mas a mente continua navegando em alto-mar.

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