Samedi matin, 20 de janvier de 2026
O velho Sam, pedreiro fichado na área da Vale, arrastando uma diminuta diária de 150 reais, ficou estupefacto com um colega recém chegado da baixada:
- Cara, pro lado dai tem muito trabalho na nossa área – a diária é de 250 reais e fora o tíquete – gabou-se.
O velho Sam depois de muito matutar, de ver os prós e os contras chegou a conclusão que o colega tá viajando na maionese, nem em São Paulo, que é a referencia a diária ainda não atingiu esse patamar.
- Esse caboco tá pensando que somos otarios, tirando mil e quinhentos por semana e seis mil por mês. Porra nem mestre de obra conceituado tá tirando isso.
E caímos na gargalhada. Ele precisando inteirar o tango, pedindo emprestado para pagar no final do mês – Poxa, poeta se for assim os pedreiros de São Paulo vem prá cá. – ironizou – è vou ali ver se encontro alguém para me emprestar uns trocados.
Ontem a noite, o’filho’ e a família apanharam a sra. Vince para um rolê nos arraiais. Mano Brown, o serigrafista e fã de Kobra leu concentrado a apresentação que o poeta e prof Carlos Cunha escreveu para o livro de poesia do poeta “Itinerário Poético & Espiritual do Desterro” publicado em 1985 no suplemento semanal 7dias do “Estado do Maranhão”.
Na descida, ainda cedo o encontro casual com seu Jojó colocando o lixo na calçada das kitinette onde mora no meio da ladeira da Avenida Sarney Filho, Vila Embratel – é sempre um prazer enorme para o poeta trocar uma palavras com esse sagico octogenário do Porto do Cazumba, São João Batista -que aportou aqui na cidade no começo dos anos50 do século passado para morar com a mãe, uma tecelã da Tecelagem Camboa – na época aurea da indústria fabril textil. Do outro lado, na calçada do prédio em construção abandonado, os montes de fios das operadores de internet chamuscados.
- O sr. conheceu o piloto de avião chamado Peperi?
- Não, não conheci.
Peperi era um bacana, com pinta de galã que fez muito sucesso com as mulheres casadas e solteiras nos anos 50 e 60.
- E o pessoal da Padaria Santa Maria na rua dos Afogados?
- Conheci, o velho era português e agiota.
O poeta conheceu o neto dele, seu Idalso, expulso da marinha, muito seu chegado, da irmandade da esquadrilha da fumaça, queimaram muita palhinha na casa dele numa porta e janela ao lado onde hoje é a loja de sua ex-amada, a sra. Van em frente ao Centro de Saude Paulo Ramos e do icônico Hospital Português no centro..
- o grande jogador Canhoteiro?
- Conheci muito, a mãe dele vendia bolo e café no antigo mercado produtor, onde hoje é a caixa d’agua do Diamante. Ele morava com Maria Dez-tostões – jogava no Tupã, depois foi para o Expressinho do Ceará e lá conheceu Braun, chefão do São Paulo, que também gostava da ‘bicha’ e o levou para lá. Quase ele ia para a seleção.
O poeta foi ao Gordilho entregar uma encomenda da irmã e pegou um pouco de café e uns comprimidos de infralax. Lia “O Misterio de Marie Roget” do mestre Poe e ontem concluiu a boa leitura de “A Interprete” da alemã Annette Hess.
- Ei, seu Constantino, o senhor não vai buscar o seu? – gritou do meio da calçada o Tio Chagas com seus dois bandecos na sacola.
Uma pequenina magrinha mais atrás com dois bandecos também – assim começou o desfile dos bandecos – um atrás do outro, todos felizes – feijoada.
O pedreiro dos 250 a diária todo garboso, arranjou dez reais para o velho Sam. O artesão Cinzay e a sacola pendurada no guidão com dois bandecos. Dezão não apareceu no areópago, continua enfurnado nos seus aposentos abraçado com umas gorotinhas que pegou de madrugada. Juvan junior querendo encabular o poeta – mostrar a opulência do bandeco.
- Não obrigado.
Apanhou uma pilhas e uma dose de mel no Lasierra, comprou o bandeco para o compadre, onde Sprite é o churrasqueiro serio.