Poemas :
A prata cara da saudade

se a nossa saudade
crescesse como as árvores,
teria raízes nos calcanhares,
ramos a tocar os olhares
e frutos a prometer nascer cedo,
já tarde.
mas, como a saudade
é lago,
escrava
da lua
e dos braços,
chora por um abraço
nas noites escuras.
ecoa o seu gemido
como o búzio do mar,
nas prévias luas.
desnasce,
desnuda,
sem as partes
que cabem.
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