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Poemas : 

AMIGA

 
AMIGA



Amiga, no te mueras.
Amiga, não morras.


Óyeme estas palabras que me salen ardiendo,
Ouve estas palavras que me saem em chamas,

y que nadie diría si yo no las dijera.
e que ninguém diria se eu não as dissesse.


Amiga, no te mueras.
Amiga, não morras.


Yo soy el que te espera en la estrellada noche.
Eu sou o que te espera na noite estrelada.

El que bajo el sangriento sol poniente te espera.
O que sob o sangrento sol poente te espera.


Miro caer los frutos en la tierra sombría.
Vejo cairem os frutos na terra sombria.

Miro bailar las gotas del rocío en las hierbas.
Vejo dançarem as gotas de orvalho sobre a ervas.


En la noche al espeso perfume de las rosas,
À noite sob o intenso perfume das rosas,

cuando danza la ronda de las sombras inmensas.
quando dança ao redor das imensas sombras.


Bajo el cielo del Sur, el que te espera cuando
Sob o céu do Sul, o que te espera quando

el aire de la tarde como una boca besa.
o ar da tarde beija como uma boca.


Amiga, no te mueras.
Amiga, não morras.


Yo soy el que cortó las guirnaldas rebeldes
Eu sou o que cortou as grinaldas rebeldes

para el lecho selvático fragante a sol y a selva.
para o leito selvagem perfumado a sol e a selva.


El que trajo en los brazos jacintos amarillos.
O que trouxe nos braços jacintos amarelos.

Y rosas desgarradas. Y amapolas sangrientas.
E rosas despedaçadas. E papoulas sangrentas.


El que cruzó los brazos por esperarte, ahora.
O que cruzou os braços para esperar-te, agora.

El que quebró sus arcos. El que dobló sus flechas.
O que quebrou seus arcos. O que dobrou suas flechas.


Yo soy el que en los labios guarda sabor de uvas.
Eu sou o que guarda nos lábios o sabor de uvas.

Racimos refregados. Mordeduras bermejas.
Cachos amassados. Mordidas vermelhas.


El que te llama desde las llanuras brotadas.
O que te chama desde as planícies floridas.

Yo soy el que en la hora del amor te desea.
Eu sou o que te deseja na hora do amor.


El aire de la tarde cimbra las ramas altas.
O ar da tarde arqueia os altos ramos.

Ebrio, mi corazón. bajo Dios, tambalea.
Ébrio, meu coração, submisso a Deus, cambaleia.


El río desatado rompe a llorar y a veces
O rio transbordante põe-se a chorar e às vezes

se adelgaza su voz y se hace pura y trémula.
afina-se sua voz e se faz pura e trêmula.

Retumba, atardecida, la queja azul del agua.
Ressoa, entardecida, a lamuria azul da água.


Amiga, no te mueras!
Amiga, não morras!


Yo soy el que te espera en la estrellada noche,
Eu sou o que te espera na noite estrelada,

sobre las playas áureas, sobre las rubias eras.
sobre as praias douradas, sobre as loiras eras.


El que cortó jacintos para tu lecho, y rosas.
O que cortou jacintos para teu leito, e rosas.

Tendido entre las hierbas yo soy el que te espera!
Estendido sobre a relva eu sou o que te espera!


Pablo Neruda
( 12/07/1904 — 23/09/1973)
Autores Clássicos no Luso-Poemas

 
Autor
Pablo Neruda
 
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Enviado por Tópico
Carolina
Publicado: 24/04/2009 20:39  Atualizado: 24/04/2009 20:39
Colaborador
Usuário desde: 04/07/2007
Localidade: Porto
Mensagens: 3535
 Re: AMIGA
Lindo poema a alguém querido e desejado...

Enviado por Tópico
VónyFerreira
Publicado: 24/04/2009 20:44  Atualizado: 24/04/2009 20:44
Membro de honra
Usuário desde: 14/05/2008
Localidade: Leiria
Mensagens: 9702
 Re: AMIGA
Enche-me o coração reler os seus versos, Pablo!
E como me fez bem imaginar, hoje... que existe neste mundo (ainda...) sentimentos como o seu, Poeta!