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José Guilherme de Araujo Jorge : Vida e Obra
em 11/06/2011 21:56:17 (6722 leituras)
José Guilherme de Araujo Jorge

José Guilherme de Araujo Jorge

Nasceu em 20 de maio de 1914, na Vila de Tarauacá, Estado do Acre. Filho de Salvador Augusto de Araújo Jorge e Zilda Tinoco de Araujo Jorge.

Descendente, pelo lado paterno de tradicional família alagoana, os Araujo Jorge. Sobrinho do embaixador Artur Guimarães de Araujo Jorge, ( autor de inúmeras obras sobre Filosofia, História e Diplomacia), sobrinho neto de Adriano de Araujo Jorge , médico, escritor, grande orador, que foi Presidente perpétuo da Academia Amazonense de Letras, e do Prof. Afrânio de Araujo Jorge, fundador do Ginásio Alagoano, de Maceió.

Descende pelo lado materno dos Tinocos, dos Caldas e dos Gonçalves, de Campos, Macaé, e S. Fidélis, Estado do Rio.
Passou sua infância no Acre, em Rio Branco, onde fez o curso primário no Grupo Escolar, 7 de Setembro. No Rio , realizou o curso secundário nos Colégios Anglo-Americano e Pedro II Colaborou desde menino na imprensa estudantis. Foi fundador e presidente da Academia de Letras do Internato Pedro II, no velho casarão de S.Cristovão, consumido pelas chamas muitos anos depois. Data dessa época, ainda ginasiano, sua primeira colaboração na imprensa adulta: em 1931 viu publicado o seu poema "Ri Palhaço, Ri" no "Correio da Manhã", depois transcrito no "Almanaque Bertand" de 1932.
Entretanto, este como outros trabalhos desse tempo, não foram incluídos em seus livros. Colaborou também no jornal " A Nação" ; nas revistas: " Carioca", "Vamos Ler", etc. Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil.

Em 1932, No Externato Colégio Pedro II, em memorável certame, foi escolhido o " Príncipe dos Poetas", sendo saudado na festa por Coelho Neto, "Príncipe dos prosadores brasileiros" recebendo das mãos da poetisa Ana Amélia, Presidente da Casa do Estudante, como prêmio e homenagem, um livro ofertado por Adalberto Oliveira, então " Príncipe da Poesia Brasileira".

Na Faculdade de Direito foi o fundador e o 1º Presidente da Academia de Letras, que teve como patrono Afrânio Peixoto, então professor de Medicina Legal.
Foi locutor e redator de programas radiofônicos, atuando nas Rádios Nacional, Cruzeiro do Sul, Tupi e Eldorado. Em 1965, era professor de História e Literatura, do Colégio Pedro II.
Orador oficial de entidades universitárias, (do CACO da União Democrática Estudantil, precursora da UNE, da Associação Universitária, etc), ainda estudante, venceu concursos de oratória. Em Coimbra recebeu no título de " estudante honorário" e fez Curso de Extensão Cultural na Universidade de Berlim.

Com irrefreável vocação política, foi candidato a vários cargos públicos. Elegeu-se Deputado Federal em 1970 pela Guanabara, reelegendo-se já para o seu terceiro mandato em 1978 .
Ocupou a vice-liderança do MDB e a presidência da Comissão de Comunicação na Câmara dos Deputados.
Politicamente participou sempre das lutas anti-fascistas, como democrata e socialista. Lutou, ainda estudante, contra o "Estado Novo". Foi preso e perseguido várias vezes durante esse período . Deixou de ser orador de sua turma por estar detido na Vila Militar, sob as ordens do Gal. Newton Cavalcanti, durante todo "estado de guerra" de 1937.

Foi conhecido como o Poeta do Povo e da Mocidade, pela sua mensagem social e política e por sua obra lírica, impregnada de romantismo moderno, mas às vezes, dramático.
Foi um dos poetas mais lidos, e talvez por isto mesmo, o mais combatido do Brasil.

Faleceu em 27 de Janeiro de 1987.


As informações abaixo foram compiladas dos livros "Concerto a 4 Mãos" 2° edição, página 173,e "Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou" volume II, 1° edição 1966, página 352:

J. G. de Araujo Jorge é o mais popular poeta do Brasil, de nossos dias. Seus versos multiplicam-se pelos cadernos de poesia dos jovens; são declamados em festas e recitais; difundidos em programas radiofônicos, jornais e revistas de todo o país, e, principalmente, estão na memória e no coração do povo.

Que maior glória pode aspirar um Poeta? Só Castro Alves e Augusto dos Anjos conseguiram no Brasil popularidade igual à conquistada por esse grande poeta moço.

Ele próprio já confessou, numa trovinha:

"Minha maior alegria
minha glória humilde e nua
é ver a minha poesia
fazer ciranda na rua"

Lírica e social, a poesia de Araujo Jorge emociona os corações enamorados, fala à alma de toda gente porque traduz seus desejos, angústias e esperanças, e, ao mesmo tempo, indica rumos e faz-se intérprete das reivindicações de sua época.

Romântico e socialista, é o poeta moderno que interpreta seu tempo e vê sua mensagem cumprir sua missão. J. G. de Araujo Jorge compõe letras para canções e para hinos. É o poeta do seu povo.

Eis uma relação completa de suas obras:

Índice de Obras de J. G. de Araujo Jorge


01 - 1934 Meu Céu Interior

02 - 1935 Bazar De Ritmos

03 - 1938 Amo!

04 - 1934 Cântico Do Homem Prisioneiro!

05 - 1943 Eterno Motivo

06 - 1945 O Canto Da Terra

07 - 1947 Estrela Da Terra

08 - 1948 Festa de Imagens

09 - 1949 A Outra Face

10 - 1952 Harpa Submersa

11 - 1959 Concerto A 4 Mãos

12 - 1958 A Sós. . .

13 - 1960 Espera.. .

14 - 1961 De Mãos Dadas

15 - 1961 Canto A Friburgo

16 - 1964 Cantiga Do Só.

17 - 1965 Quatro Damas.

18 - 1966 Mensagem 19 -1960 Coleção Trovadores Brasileiros

20 - 1964 Cantigas De Menino Grande. 100 Trovas,

21 - 1964 Trevos De Quatro Versos . Trovas

22 - 1969 O Poder Da Flor

23 - 1942 Um Besouro Contra A Vidraça PROSA

24 - 1961 Brasil, Com Letra Minúscula- PROSA

25 - 1939 Poesias - Coletâneas

26 - 1947 Poemas De Amor-Coletâneas.

27 - 1948 Antologia Da Nova Poesia Brasileira

28 - 1961 Meus Sonetos De Amor Coletâneas

29 - 1961 Poemas Do Amor Ardente Coletâneas

30 - 1963 Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou

31 - 1964 Amor Vário Antologia Lírica.

32 - 1966 Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou

33 - 1969 No Mundo Da Poesia Crônicas

34 - 1970 Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou

35 - 1981 O Poeta Na Praça - Coletâneas

36 - 1986 Tempo Será - Coletâneas


Entrevista concedida por J.G.de Araujo Jorge a Carlos Camargo,
na sucursal e "Manchete , em Porto Alegre, 1969.

Quinze respostas de JG

P- Que acha da poesia em si?

R- A poesia é a vida acontecendo no poeta. Afinal o que é o poético senão o poeta? A vida é apenas barro. Tu serás ou não, Deus.


P- O que acha do amor?

R- É a capacidade de "ser". O homem ama amplamente, e de modo multiforme. Sem amor não se " é ". Ama-se ao próximo como preconizava Cristo há quase dois mil anos: para se somar o mundo. Ama-se " a próxima ..." para a multiplicação...


P- Onde busca sua inspiração? Escreve sempre?

R- Não busco. Ela me encontra. Está na vida. Passo meses, anos, sem escrever uma linha. Escrevo um livro, em poucos dias. Acontece.


P- Qual seu meio preferido de distração?

R- Olhar. Há muita gente que tem apenas olhos para ver. A capacidade de se ter, "olhos de olhar" a vida, recolhendo dela tudo o que nos pode oferecer é mais empolgante.... e o mais barato de todos os divertimentos.


P- Qual o maior poeta nacional.

R- Os poetas são como instrumentos. Não posso dizer entre um violinista, um pianista, um saxofonista, qual o maior. Cada um é grande no seu instrumento. Citarei poetas de minha predileção: Moacyr de Almeida, Raul de Leoni, Augusto dos anjos, para falar dos que já partiram, mas continuam com a gente, apenas com a sua poesia.


P- Qual a melhor poesia que já escreveu?

R- Difícil. As poesias vão marcando "momentos" de minha vida, como os luvros fixam "etapas". Cada uma delas representa, portanto, algo de particular. Mas dá-se o fato curioso: às vezes as poesias de que mais gosto não são as de que gostam mais meus leitores. Eles, ou elas, por exemplo, preferem as minhas poesias líricas: eu prefiro as sociais, e até as políticas.


P- Qual o tipo de mulher eu mais lhe agrada?

R- A que me compreende. Só a compreensão liga realmente um homem a uma mulher. O resto é efêmero. Mas como me pergunta a maior qualidade na mulher para me atrair, eu responderia: a sua feminilidade, a sua ternura, a sua capacidade de dar-se.


P- Qual a diferença do romantismo do passado e o da atualidade?

R- Costumo dizer que o romantismo não foi apenas uma escola literária, mas um estudo de espírito que independe de escolas. Os modernos são também românticos, apenas o romantismo do nosso tempo se apresenta com características diversas do romantismo do Século XIX, o chamado " mal do século". O romantismo do homem de nossos dias é um romantismo sensorial, que tem raízes profundas na realidade.


P- A conquista do espaço fez decair o valor dos termos poéticos referentes à Lua, estrelas, etc?

R- Ainda não. Quem sabe lá daqui a alguns anos? Escrevi certa vez que a minha poesia " era como aquela face da Lua que ninguém vê, voltada sempre para o infinito." E hoje, russos e americanos já conseguiram fotografar a outra face da Lua... Evidentemente terei de mudar a minha poesia para outro planeta, ou satélite, mais inacessível...


P- Existe amor platônico?

R- Deve haver: o dos idealistas, o dos frustrados ou doentes. Mas o amor é como a poesia, ou como a flor, - por mais belo que seja, ou por isso mesmo, precisa da seiva que vem do chão, do trabalho das raízes.

P- Acredita no amor à primeira vista?

R- Não. Acredito em simpatia. O amor exige tempo para definir-se, plasmar-se. O amor não nasce amor, como da semente não nasce a flor.


P- Com que idade escreveu suas primeiras poesias?

R- Com 12 anos mais ou menos. Meu primeiro livro (Meu Céu Interior ,1934) é uma coletânea de poemas escritos entre 14 e 17 anos. Escrevi minha primeira poesia na mesma época em que era o capitão do "time" campeão de futebol do Colégio Pedro II, onde estudei.


P- O que mais lhe agrada na vida?

R- A vida. Nada há de mais extraordinário. Veja o que disse, neste final de soneto:

"Podes tudo pensar, tudo criares
em histórias e cantos singulares,
o que o sonho não pode, a alma não deve,

e ainda assim hás de ver que não és louco,
que tudo que pensaste é nada e é pouco,
ante o que a própria vida ensina e escreve!"


P- Que escrito dedicaria à Valentina a astronauta russa, primeira mulher a devassar os espaços?

R- "Tu que não cres em Deus
mas que O olhaste de perto, em teus olhos
traze para os homens a sua muda mensagem
ainda incompreendida."


*Fonte: http://www.jgaraujo.com.br


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