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O LIVRO DO DESERTO I (Vigília)

 

Que vigilo eu?
No topo de uma duna
Onda estática de um mar imóvel
Agora que o vento amainou
E no céu esmeralda mil luzeiros cintilam
Tão suavemente
Que nem dá para fazer bulir um grão de areia

Os soldados ressonam
Enfiados nos sacos cama
Ouço bater os seus corações

Não sei quem são
Nem donde são
Só os conheço daqui
E só eu sei que como eu
Não vivem de ilusões
Vão para lado nenhum
Para onde o destino aprouver

São a lama
Da raça humana
Sem pátria, nem lar
Talvez fugidos do amor de uma mulher
Só lhes dói a saudade

São flores de Lotus
Que germinam na duna
Como eu
Pura espuma de espiritualidade

Que vigilo eu?

(Algures no Deserto do Sahara)
xxviii-iv-ddix



homo sapiens sapiens

Autor
Homo sapiens
Autor Homo sapiens
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Data 28/04/2009 15:14:24
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
VónyFerreira
Publicado: 28/04/2009 15:19  Atualizado: 28/04/2009 15:19
Colaborador
Usuário desde: 14/05/2008
Localidade: Leiria
Mensagens: 14938
 Re: O LIVRO DO DESERTO I
Sou a primeira a vir felicita-lo por este poema.
Um abraço meu caro senhor/a (?)

Enviado por Tópico
Tânia Mara Camargo
Publicado: 28/04/2009 15:24  Atualizado: 28/04/2009 15:24
Colaborador
Usuário desde: 11/09/2007
Localidade:
Mensagens: 4479
 Re: O LIVRO DO DESERTO I
Sou a segunda a aplaudir-te, finalmente
um poema de qualidade, onde se pode ler
um pouco de sua alma. Que venha mais!
Beijos!

Enviado por Tópico
Henrique Pedro
Publicado: 28/04/2009 15:27  Atualizado: 28/04/2009 15:27
Colaborador
Usuário desde: 28/07/2007
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Mensagens: 3859
 Re: O LIVRO DO DESERTO I
A noites de Verão em Valongo das Meadas, no coração da mítica Terra Quente Transmontana, sua e minha Pátria, já que Portugal está sendo devorado pelos vermes do Terreiro do Paço, são quentes e lindas. Imagino como serão as do deserto do Sahara...!
Que se abra mais espaço à poesia no Luso poemas. Que cantem mais os poetas e tagarelem menos as trovadoras.

Amizade para todos e um especial abarço para si

Enviado por Tópico
Tânia Mara Camargo
Publicado: 28/04/2009 15:32  Atualizado: 28/04/2009 15:32
Colaborador
Usuário desde: 11/09/2007
Localidade:
Mensagens: 4479
 Re: O LIVRO DO DESERTO I para Pedro Henrique
Pedro Henrique não vais agora criar mais
polêmicas, gostei muito da poesia do Homo Sapiens
e como aprendiz estou sempre alerta aos bons
escritos. Quanto a tagarelar, faz parte! Beijos!

Enviado por Tópico
VónyFerreira
Publicado: 28/04/2009 15:34  Atualizado: 28/04/2009 15:34
Colaborador
Usuário desde: 14/05/2008
Localidade: Leiria
Mensagens: 14938
 Re: O LIVRO DO DESERTO I Resp, HenriquePedro
Meu distinto Poeta enganou-se no abraço. Não é abarço
Ora aqui fica um abraço para o Poeta Henrique Pedro

Enviado por Tópico
zésilveiradobrasil
Publicado: 28/04/2009 15:51  Atualizado: 28/04/2009 15:51
Luso de Ouro
Usuário desde: 18/02/2008
Localidade: Niterói (em tupi-guarani = águas escondidas) RJ/Brazil
Mensagens: 11788
 Re: O LIVRO DO DESERTO I
um poema que após eu ter lido, me pôs vigil. e a cada releitura, apreciei melhor a beleza dos versos. apesar de amargos, há luz, principalmente na estrofe das flores germinadas.
foi um prazer
fraterno abraço.
Silveira

Enviado por Tópico
Frederico Rego Jr
Publicado: 28/04/2009 21:34  Atualizado: 28/04/2009 21:34
Da casa!
Usuário desde: 15/01/2008
Localidade: Rio de Janeiro
Mensagens: 315
 Re: O LIVRO DO DESERTO I
Bela poesia! Digna de um homo sapiens .

Enviado por Tópico
Antónia Ruivo
Publicado: 28/04/2009 23:16  Atualizado: 28/04/2009 23:16
Colaborador
Usuário desde: 08/12/2008
Localidade: Montemor-o-novo
Mensagens: 3909
 Re: O LIVRO DO DESERTO I (Vigília)
Eu sabia que ainda leria alguma coisa sua que valesse realmente a pena, por detrás da máscara existe sempre um rosto, por detrás do rosto a alma, neste caso a alma do poeta, obrigado por dar a conhecer esse lado, beijinhos

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 29/04/2009 09:56  Atualizado: 29/04/2009 09:56
 Re: O LIVRO DO DESERTO I (Vigília)
Aqui temos poesia
E da boa!

Parabéns,

Paulo Galvao

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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