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Poemas, frases e mensagens sobre poeta

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares sobre poeta

O Poeta Dela

 
O Poeta Dela
 
 
Suspirando de amor,
cada dia
morria um pouquinho...
Bailava nos sonhos azuis
daqueles versos escritos no papel,
jogados ao sabor do vento,
caídos no colo,
sobre seu vestido estampado...
A cada palavra
sentia o beijo terno,
cada estrofe
uma promessa de vida,
cada rima
uma canção mágica...
O amado de toda a vida,
estava
naquele pedacinho de papel...

Daniele Dallavecchia
 
O Poeta Dela

E Deus te transformou no meu céu

 
E Deus te transformou no meu céu
 
Da pontinha dos cabelos, à ponta dos pés...
todo o corpo repousa sobre essa paz,
esse amor, esse ser maravilhoso que tu és...
Tudo o que me deixava triste agora jaz...

Abençoado ventre materno que te deu à luz,
abençoada destra paterna que te orientou,
sigo confiante os passos que você conduz,
abraço cada ensinamento que você mostrou...

Reta vou pelo caminho estrelado que se abre,
Seja Deus no céu e você na terra, meu amor...
A saudade agora é uma lembrança, souvenir...

Meu espírito contempla admirado cada milagre,
e não há mais aflição, desespero ou dor...
Fecho os olhos e agarro cada benção que surgir.

Daniele Dallavecchia 19.03.2011

Homenagem ao meu poeta e meu amor, Sommer!
 
E Deus te transformou no meu céu

Poeta nas nuvens

 
Poeta nas nuvens
 
POETA NAS NUVENS

O poeta é uma espécie de doido varrido
Vive e morre cantando dores sem cura
É como um mendigo esquecido,
Feliz, eleva a sua musa às alturas.
Canta a tragédia, vive suspirando
Às vezes não cala a sua indignação
Dia após dia se resignando
Repetidamente se apodera dele a emoção.

Chora e soluça, também sonha, sonha...
O Poeta é um sonhador sem vergonha!

Delicia-se a sonhar, carícias e doçuras
Às vezes sente-se ave acorrentada
Outras solta-se nas alturas,
Ou fica errante p'la estrada
É veloz, tem asas de condor
Tudo ama, tudo o cega, vive de amor.

O Poeta cria seu Mundo à parte
Não se conforma em perder
Com muito engenho e arte!?
Escreve de manhã ou ao anoitecer.
De voz clara fala de outrora
Da distancia infinda, lembranças!?
Fala da flor que murcha agora.
Fala da velhice e da mocidade
Fala dos sonhos, das esperanças
E porque sofre fala também da saudade.

Murmura suas preces sem pausas
Na esperança de respostas receber
Suspira amargurado, indiferente às causas
De tudo julgar ter... e nada ter.
Canta seu Deus, e a Natureza
É fanático p'la liberdade
Mas no seu coração vive a certeza!?
De que um dia morrerá de saudade.

Tem sempre saudades dum bem
Seu coração é de criança sem maldade,
Mas só desse bem lhe vem,
A Poesia com vontade!

Desfia seu rosário em ritmo lento
Finge que a linguagem não é sua
Retém lágrimas ou sorri a cada momento
Imerge da tristeza, e também amua.
Não pára de saciar sua sede ardente
Como um rouxinol, cantando, cantando...
Nas alturas celestes se deixa voando.
Ora se sente ninguém, ora se sente gente.

rosafogo

Poema surgido durante esta viagem, um pouco nas nuvens, mas fi-lo e dedico-o a todos os poetas,
que o venham ler.

Olá aos amigos de quem já tinha saudades.
Um abraço a todos, estou de volta.
 
Poeta nas nuvens

Ser poeta

 
- Os poetas são todos loucos,
Loucos, loucos como eu e tu
- Ah, mas eu não sou poeta!
- Estás é pateta! És um peru?!
- Ah, poeta escreve versos
De amor, sei lá, de kung fu
E ouvi dizer, mas não estou certo
"Todo o poeta é gabiru"
- Bah! Ser poeta é nada disso
É ser mais alto, como a canção
É beijar como quem seja...
Hum, é como chouriço no pão
Nem precisa saber escrever!
- Sequer saber escrever precisa?!
- Não complica, p'ra poeta ser
Basta ser louco ou sem camisa
- Hum, louco eu sou... descamisado...
Chouriço gosto... pão também...
Não sou peru... não sou pateta...
Serei poeta?! Não soa bem.
 
Ser poeta

Depende do Poeta...

 
Nasce na noite perversa de frio
Um ínfimo arco-íris de fogo
Fazendo na neve branca
Um rio
(Quase invisível)
Que corre na alma branca
Da paz monótona
(indescritível)
Que era sentida.

Nasceu uma flor
Minúscula e rubra
Para ser regada
Sem dor…

Se algum dia será vista?
Só depende do poeta
E do seu amor…
 
Depende do Poeta...

acolhedores

 
como fogueira
crepitante
em fria noite campestre

/fria tanta
que nem a lua
comparece /

mesmo que
juntas ao longe
estrelas incendeiam
dando impressão
que a via láctea inteira...
aquecem/

são teus versos
que confortam
e do meu frio
se compadecem
 
acolhedores

AFIANÇO!

 
AFIANÇO!
 
AFIANÇO!

Que o Poeta está triste hoje
Poesia prestes a morrer em si
Pouco lhe resta a vida foge
Cansou de chegar até aqui.

Nega-lhe até o chão que pisa
Poesia prestes a morrer em si
Fecha-se a porta, a vida avisa
Aguenta, não sairás mais daqui.

Chegou ao alto da montanha
Sonolento, constrangido, ali
Onde fui arranjar força tamanha?
Pergunta o Poeta de si para si.

Ao seu encontro veio a saudade
Olhou para tras, ninguém era ali
O mundo o desprende com facilidade
Perpétua, só a Poesia nascida de si.

Agora nada mais existe que o vazio
Fica condenado a gritar só para si
Morrer não, a vida está por um fio?!
Pensa:
Porquê?!Se tudo dei e nada recebi.

rosafogo

Pequenos desassossegos dum poeta.
 
AFIANÇO!

NANDA ESTEVES (Feliz Aniversário)

 
NANDA ESTEVES  (Feliz Aniversário)
 
 
Nanda.

Eras apenas um ser em
meio a grande multidão,
em meu peito se aninhou
tomando conta do coração.

Eras apenas mais uma
em meio a este mundo
chegou e tomou conta
do meu ser mais profundo.

És como um anjo
que em minha vida entrou,
e se instalou no meu peito
e nunca mais me deixou.

És uma mulher cheia de amor
que admiro assim como uma flor,
sabia que você era este ser especial
que sempre em meu coração pulsou.
_______________
Esse foi um dos 1ºs poemas que fiz por aqui no meu 1º mês de Luso. Fiz agradecendo um poema que Nandinha fez pra mim e isso jamais esqueço, ficou guardado no meu coração.

Beijo querida, um ANIVERSÁRIO de paz, saúde, prosperidade e muito amor ao lado dos que tu amas!

Página da Nanda

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=89882
 
NANDA ESTEVES  (Feliz Aniversário)

reduzir a pó os poemas e quem os faz

 
reduzir a pó os poemas e quem os faz
 
nos meus olhos o amor se deitou
adormeceu com as memórias de ti
e na cama húmida de lágrimas sonhou
na noite das noites que não têm fim

noite escura onde brilham primaveras
de um ébrio amor de um luar ardente
vindo de céus de estrelas de outras eras
onde dois corpos se amaram loucamente

e no calor da lareira onde me aqueço
queimo paixões de um desejo bem fugaz
nas labaredas de chamas no firmamento

aguardo o tão esperado silêncio de paz
nas cinzas que arrefecem diante o tempo
a reduzir a pó os poemas e quem os faz
 
reduzir a pó os poemas e quem os faz

Meu limite será a ponta da corda

 
"... Os esforços não terão sido em vão enquanto acordar,
sei dos riscos enquanto visito as tão escuras veredas, ...”
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- Meu limite será a ponta da corda -


Meu limite fatal será sempre a ponta da corda,
a morte bailarina dança ao som de melodia letal.
Sei que vou morrer, mas não será neste momento,
haverá escrita a hora certa para o encontro final.

Esgotadas lágrimas, olhos marejados em indagações,
neste instante que estou gostando demais da vida.
Aquela que me amou, ficará calma no sofá da sala,
não me acompanhará, nem ira o destino desafiar.

Os esforços não terão sido em vão enquanto acordar,
sei dos riscos enquanto visito as tão escuras veredas,
enquanto as retas da vida em sinuoso arco transformar.

Sem palavras, não irei arrependido, será enfim a meta,
mas, se pessoas distintas já disseram que fui um artista,
talvez, alguém ainda vai dizer que em vida fui um poeta.

28082015
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©LuizMorais. Todos os direitos reservados ao autor. É vedada a copia, exibição, distribuição, criação de textos derivados contendo a ideia, bem como fazer uso comercial ou não desta obra, de partes dela ou da ideia contida, sem a devida permissão do autor.
 
Meu limite será a ponta da corda

Sou Poeta sim porque não?

 
Sou Poeta sim porque não?
 
SOU POETA SIM PORQUE NÃO?

Levanto um muro e fico só?
Tanto que poderia dizer-te!
Mas de mim não tenhas dó,
Que hei-de sempre querer-te.

Hora a hora Deus melhora
E o dia hoje me é vantajoso
Em meus versos digo na hora
Bate meu coração!Bate corajoso.
A Vida é este palco
Onde sou o que quiser
Mas nada nem ninguém acalco
Na estrada que percorrer.

Se sou isto e sou aquilo?!
Não sou eu imitação!
Meu caminho, vou segui-lo!
Atrás do muro não fico não.
Sou testemunha, vejo tudo!?
Estou no palco, faço feitiço
Finjo ser cego e mudo
Censura, não me importo com isso.

Tenho registo de memória
Sou Poeta e até fogosa
Conto p'ra todos a minha história
Sou *Poeta e também rosa.

rosafogo

Afinal cheguei à conclusão que sou mesmo Poeta.
Me desculpe quem assim não achar.
 
Sou Poeta sim porque não?

Deus das Palavras

 
O escritor é um Deus das palavras.
No princípio sua imaginação transcende
as imagens que surgem em sua mente
e atravessam o firmamento do que ele entende.
Ele imagina céus em cada texto,
ele conhece terras em cada interrogação,
sente sensações em cada exclamação.
Nas trevas, ele mostra a segunda face do abismo,
nas águas, ele batiza sua criação e alivia sua sede,
diante da luz, ele faz da Lua a eterna musa do Sol.
Sua poesia une as noites frias com o calor dos dias,
as tardes chuvosas com os desertos das madrugadas,
os passados saudosos com os desejos nos futuros
e o agora vívido com as preguiçosas manhãs.
Suas composições ouvem a voz dos oceanos,
suas canções navegam com o perfume da maresia,
enquanto sonha com sua criação deitado numa rede,
naquela praia onde seus olhos conheceram o mar.
O Poeta é um Deus criador de versos.
Se ele finge, sonha ou sente, somente ele pode dizer.
Seus livros nascem iguais estações do ano,
no outono ele une as folhas escritas com seus poemas,
no inverno ele permanece entorpecido, em gestação,
na primavera ele lança as sementes nos corações
e no verão ele colhe a luz da sua manifestação.
A obra do escritor transcende sua existência,
transforma-se num legado indelével, intemporal
e permanece insigne na lembrança do seu leitor.
 
Deus das Palavras

Tu

 
 
Cisma do ego com folgo e sossego,
Sim possui supremacia a tua emoção!
Espectro vê tudo em olho cego,
Distração com supre concentração.

Bela, perfeita a sua mensagem,
Toca a pele penas de veludo;
Para si a preclara homenagem,
Troféu, gloria, fanatismo e tudo!

Tons da diferença da multidão,
Cintila a tua alma em asa de cordão,
Teu génio, teu físico é compaixão.

Sangue que metrifica dourado,
Serenidade, sensibilidade,
Tuas asas, teus versos, és tão amado!

Ana Carina Osório Relvas/A.C.O.R
 
Tu

*Palavras de Poeta*

 
*Palavras de Poeta*
 
“O poeta, de facto, só é uma pessoa como as outras na fisiologia. Et quand même…, Antoinin Artaud já nos preveniu de que poderia, até mesmo aí, ser diferente”

De O Livro de Cesário Verde, Posfácio, António Barahona

São tantas as palavras que o vento albergou,
Das flores que ainda se fazem criar,
Por entre os campos caiou,
Pedaços de pétalas de mar,
Que o tempo vincou nas brochuras com o salivar…

Nas montanhas assolou um único contemplar,
Que as flores lhe matou,
No jardim que ainda estava a formar,
As palavras que com as boninas partilhou,
Avassaladas pela corrente que inalava no ar…

São tantas as palavras que o vento albergou,
Levadas pela morte que insiste em amar,
Um poeta que ganhou asas e voou,
Para lá das vistas do meu olhar,
Onde enterrou todos as farpas que conseguia trovar…

Marlene

Read more: http://ghostofpoetry.blogspot.com

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Inspirei-me em Cesário Verde, grande poeta que tanto admiro.

Abraços e Felicidades.
 
*Palavras de Poeta*

SEMEIA, POETA, SEMEIA!

 
SEMEIA, POETA, SEMEIA!
 
 
SEMEIA, POETA, SEMEIA!

by FatinhaMussato

Semeia, poeta, semeia!
Semeia idéias, palavras e versos,
como o jardineiro semeia sementes...
Pois é dos versos semeados por ti,
que nascerão o amor e a esperança!

Sentirás n'alma
o preço do teu semear...
Dores do parto do amor,
da fé que em ti habita,
pois a sentes em teu interior!

Ensina o homem a amar,
a ter esperança, a confiar,
transmita em teu versejar,
a certeza de um mundo melhor!

As dores do teu semear,
um dia serão compensadas,
pelo reflorir da esperança,
pelo voltar da alegria,
pelo despertar do amor!

Poema INÉDITO Nesta Data
São José do Rio Preto (SP), 29/Janeiro/2010 - sexta-feira - 10h00m.

PS: A imagem ilustrativa homenageia o amigo poeta José Luis Lopes.

Imagem: NET

Música: Stolen Kiss / Ernesto Cortazar
 
SEMEIA, POETA, SEMEIA!

Eu queria amar um poeta

 
Eu queria amar um poeta
Que conhecesse a dor
De perder um amor
E a transformasse na magia
Da sua poesia.

Que nascesse em cada dia
Sedento do sabor
De uma nova paixão
Que a tornasse eterna
Dentro do seu coração.

Que tocasse o meu corpo
Como sabe tocar uma flor
Com toda a doçura e fulgor.
Que lidasse com a rotina
Como se fosse noite de luar
Com toda a vontade de imaginar.
Que vivesse cada momento
Como um verso a escrever
Para nunca esquecer.

Que me amasse a mim
Como se fosse um ser
Que não tem de sofrer.
Que me fizesse sentir
Como acabada de nascer
Sem de ti saber.

Saído mesmo do fundo da gaveta
 
Eu queria amar um poeta

O POETA QUE VIVE EM MIM

 
O POETA QUE VIVE EM MIM
 
O POETA QUE VIVE EM MIM

Este tempo em mim maldito!
Me deixa como ave lenta
Despida de penas
E palavras em que não acredito.
São apenas...
Dores que o Poeta inventa!
Mas Poeta é livre como o vento
Em seus versos canta, sofre e respira
Seu céu ora é azul, ora cinzento
E vê e ouve o que mais ninguém viu ou ouvira.

Grande é a sua sede de viver
Inventa histórias de memórias esquecidas
Saem-lhe palavras para oferecer
De utopia suas idéias tráz vestidas.

Não controla as emoções, é a verdade
O Poeta vagueia pela loucura
Vive falando da saudade
Faminto de sonhos e de ternura.

Às vezes mais morto que vivo
Há nele sempre um mar de esperança
E um velho menino adormecido
Sonhando ser ainda uma criança.

rosafogo
 
O POETA QUE VIVE EM MIM

Meu Luso do Mês é...

 
Meu Luso do Mês é...
 
Senhoras e Senhores, com vocês:

JOSÉ SILVEIRA, poeta, escritor, cantor e declamador...

- Em breves palavras, qual é a história de vida de José Silveira?

Quando nasci há sessenta e dois anos atrás, ainda havia resquícios de guerra no ar. Meu pai, um belo caboclo, era enfermeiro do setor de mutilados do Hospital da Cruz Vermelha do Rio de Janeiro. Minha mãe; uma linda interiorana, aliás, hoje com oitenta e sete anos ainda é uma graça. Ela, exímia nas prendas do lar. Sabe; aquela coisa de antigamente: bordar, cozinhar, procriar e cuidar da prole; pois é. Como quase todas as mulheres daquela época, minhas tias, também foram criadas no trabalho duro da fazenda, ali, no regime firme do meu avô, português, gordo e fofo qual algodão, e, minha avó, uma fada francesa de olhos de turmalina. Os dois; severíssimos, mas uns doces com os netos. Eles misturavam-se conosco para contar histórias, eram mais duas crianças a brincar. Peguei essas coisas deles; olhar de criança, coração doce, sorrir, cantar e contar histórias. Apeguei-me a esse modo de vida e tento conservar essa dádiva agradecendo sempre, e isso passei para os meus filhos e agora para minhas netas e meu neto.
Quando já estava mais crescido, lá pelos sete anos. Naquela época, na roça, já era idade de se começar a trabalhar. Eu ajudava o meu avô no alambique de aguardente, incentivado por ele para esse trabalho, não só na tarefa pesada no processo de produção, mas também no aprendizado da arte de destilar, no aprofundamento do processo da qualidade, quanto à maturação, sabor e cor. Coisas de cachaceiro, a saber; daquele que fabrica cachaça, muito confundido com os que só bebem; pinguço. Acho que foi a partir daí esse meu gosto por ela (riso). Hoje não chego a ser um “expert” desse destilado, conheço bem, ainda aprecio, só que moderadamente.
Voltando as raízes. De todos da família, dizem, que eu fui o mais querido, o mais levado. Depois o mais vagabundo, o mais sacana e agora o mais maluco. Como um jovem sexagenário, vivo hoje uma situação privilegiada, permito-me ser tudo isso e o que mais “pintar” pela frente sem ter medo de ser feliz. Muito diferente das atitudes que tomara num período da minha infância, quando fui um pouco autoritário. Sendo único filho homem no meio de cinco irmãs, que ajudei a criar com aquele jeitão de gente braba do interior, só desviei o meu olhar de responsabilidade quando elas se casaram, mas paparico-as até hoje de longe.
Assim vivi quase toda a minha infância até o fim da adolescência. Com o meu pai noutra cidade, víamo-nos apenas quinzenalmente, por isso minha mãe sempre contou comigo. Fora esses traços da história que não saiu da minha memória; foi uma infância pobre, mas cheia de devaneios e por isso mesmo felicíssima. Ela é lembrada em todas as fases da minha vida, contada aos meus filhos e agora aos filhos dos meus filhos.
Infância é uma coisa que só acaba; quando a gente se acaba.
Ficarei por aqui, pois minha história de vida em breves palavras, gasto o tempo e o espaço da entrevista só com a introdução.

- José Silveira por José Silveira?

Talvez haja o que dizer só que eu não sei falar de mim. Por exemplo: que eu sou autodidata na maioria das coisas que fiz e que faço; administrador de empresa, consultor de vendas, palestrante, orquidófilo, desenhista, entalhador, projetista arquitetônico, construtor civil, decorador e escrevedor de versos. Em cada uma dessas atividades eu tenho uma grande façanha para contar. Faço, e tudo que fiz foi com amor. Amor pelo que se faz, é o que eu acho indispensável para ser feliz, além da consciência responsável de saber fazer para si e para alguém. Agora... Como todo ser mortal, se eu pudesse não fazer nada, só vagabundear na boemia e no samba e com “grana” no bolso; seria bem melhor.
Lembro que em inúmeras vezes partindo em viajem a trabalho, em pleno verão, sobrevoando as praias de Copacabana, depois Barra da Tijuca e Recreio, rota obrigatória no início do plano de voo dos aviões que saem do aeroporto Santos Dumont, dizia para os meus botões:
– Putz! Quanto vagabundo! Que inveja!
Pode ser que alguém ache isso um absurdo, mas está no meu sangue de Carioca da gema. O pouco equilíbrio que eu ainda tenho para essas questões, talvez tenha sido por causa da minha infância pobre na fazenda em contato com a natureza, que me deu um aprendizado de vida com valores mais substanciais. Por isso sempre me virei sozinho, meu olhar e meus feitos são calcados em gentes simples e trabalhadoras de sol a sol. De pouca cultura, sim, mas honestas, sinceras e solícitas. Assim moldado, sem arrependimentos, me tornei o homem que sou hoje, comum, perseverante, e um amante das pessoas. Os meus defeitos; eu mesmo os fomentei. Mas sou um cara legal.

- Como a literatura conquistou sua atenção? Do que se alimenta a sua escrita? Existe uma relação entre sua vida e sua obra?

Livro era uma coisa muito cara na minha época, com um agravante; era na roça, local ermo. Mesmo assim, na tenra idade alfabetizei-me, e cedo já lia com desenvoltura, e desde lá sou um apaixonado pela leitura de aventuras e épicos. Tive acesso pela primeira vez a um livro que me marcou muito, ganhei da minha madrinha: As aventuras do Barão de Münchhansem acreditem guardo-o até hoje. Peguei o gosto, na escola primária, preferia fazer gazeta das aulas para ficar na biblioteca. O ódio das professoras é que; mesmo com pouca frequência eu tirava boas notas nas provas, principalmente nas dissertações. Viajei nas aventuras das obras de Monteiro Lobato, Julio Verne, Isaac Azimov. Hoje os meus livros de cabeceira são do Kafka. Leio-os sem pressa. Mas ainda adoro aventuras.
Confesso que já li infinitamente mais do que hoje. Certa vez, respondendo em tom de brincadeira, comentei que quando garoto, gostava de ler da Bíblia a bula de remédio, e não é longe essa afirmação não. Achava interessantíssimas aquelas palavras difíceis das doenças, dos componentes químicos dos remédios e suas associações, e das descrições rebuscadas que os laboratórios punham nas tais bulas. Com o dicionário do lado, ia tentando decifrar os significados das palavras, e ficava possesso quando uma palavra ou termo era eminentemente médico. Podem reparar, até hoje os fabricantes marketeiam seus produtos com novos termos e nomes, quanto mais complexos, mais caros, deixando nós leigos, atônitos. Quis dizer com isso que leio qualquer coisa. Enfim, se foi escrito, é que alguém quis dizer alguma coisa, mesmo que não se entenda. Haja vista as tentativas de leitura das inscrições rupestres, até hoje analisadas.

Creio que o que alimenta a minha escrita é o ler, ouvir e comentar o cotidiano, uma prática que enquanto palestrante eu pude interagir as minhas experiências de vida com o público, me valendo inúmeras vezes da minha história para um aprendizado mútuo. Geralmente eu comento quão benéfica é a leitura, principalmente numa plateia jovem. E mesmo tratando-se de adultos, não menos deixo de enfatizar quão interessante é o conhecimento da literatura na boa comunicação interpessoal. E agora uma declaração que o deixa o meu discurso aqui um tanto contraditório, penso no velho ditado “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”, e com isso, espero não dar decepção os meus ledores, e nem fazer com que essa minha declaração seja vista como um ato desmotivador ao confessar que; pelas médias nas estatísticas mundial, eu leio pouco, quase nada, e que verdadeiramente, mal conheço as obras dos mais consagrados. Certamente que a minha curiosidade já me levou e me leva quando em vezes a ler alguns textos no universo da boa e velha poesia brasileira e portuguesa, e até a minha concupiscência me empurra de encontro ao sensual erótico do Kama Sutra e ao erótico satírico de Bocage. Mas só por isso mesmo, por curiosidade. Nada de estudos aprofundados. Não tenho paciência, e ainda mais, o meu olhar sacana contemporâneo, me satisfaz. Satisfaz-me porque, tem satisfeito quem me lê. E para eu que não desejo alcançar degraus literários; basta o prazer que eu tenho ler e escrever. Aliás, a minha praia mesmo é a palavra falada.

- De que forma você encontrou o Luso Poemas? O que você mais gosta no Luso Poemas? Você teria uma “crítica construtiva" para o site e seus participantes?

Muito antes de eu pensar em sites, muitas folhas amareladas e bolorentas jaziam num fundo de gaveta, guardando: rabiscos de pensamentos, poesias, contos, rascunhos de carta para as namoradas e uns ensaios de letras de música; estas últimas sempre foram mais usadas, já que eu sou um cara metido a compositor boêmio e cantor de samba.
E certa vez, numa mesa coletiva de um restaurante conheci o dono de uma editora, conversa vai conversa vem ficamos amigos, sabendo que eu tinha escritos guardados, me convidou pra um concurso de poesia sob os auspícios do Metro do Rio de Janeiro, com direito a edição, diplomas, bla bla bla e cumprimentos. O concurso não era organizado por ele, mas ele é quem editaria a antologia das obras premiadas. Pimba! Não deu outra; fui premiado. Pronto, com muitas reservas, comecei a acreditar que poderia expor mais alguma coisa. Foi ele quem me deu o incentivo de criar um blog, hoje são dois: de poesias - www.palavrasdepoeta.blogspot.com, e de contos - http://www.contei-porai.blogspot.com, e também foi dele a ideia de eu me inscrever num site de poesias, e me indicou o site Escrita Criativa. Disse que era preciso, para que eu exercitasse a minha escrita, que era boa, mas precisava ser sacudida, e uma interação com outros poetas e escritores ia me fazer muito. Fui pra lá, quem me recepcionou foi a poetisa Conceição Bernardino minha madrinha, não a conheço pessoalmente, mas dá pra sentir que é uma doce criatura. Daí para frente, fui descarregando tudo que eu tinha guardado. E cada dia mais, amigos que me incentivavam: Júlio Saraiva, a Adriane Bonillo, Mel de Carvalho, Margarete, a Conceição B. Bom; era muito mais gente, que não consigo me lembrar agora, mas que me incentivaram muito. O site Escrita Criativa de um dia para o outro implodiu, uma pena. Perdi muita coisa escrita lá. Eu tinha a mania de escrever diretamente no site, e pela falta de tempo não fazia uma cópia. Algumas poesias eu me lembrei, refiz. Outras estão por aí viajando pelo espaço.
Bom, aqui no Luso mesmo sendo recente, não me lembro se fui convidado, ou se meti a cara mesmo. De uma coisa eu me lembro; logo no primeiro poema fui recepcionado por um comentário inteligente da Amora, que brinca com o meu ‘afetuoso abraço’, depois de uma fada poetisa, a ÂngelaLugo uma candura e logo depois de uma irmãzinha por afinidade; a Ledalge. E é isso; com tanto carinho assim, peguei logo o gosto de expor os meus escritos, os quais, escrevo com liberdade. Como costumo comentar; “escrevo o que me dá na telha” é só “baixar o caboclo” que misifio escrever, declama, ou cantar. Alguns já conhecem minhas peripécias.

Gosto do Luso Poemas pela liberdade de expressão, e lamento quando alguns contributos num espasmo involuntário ou proposital tentam burlar, e desrespeitam aos que aqui estão em nome da poesia, mesmo cônscios das condições gerais que aceitam para participar do site. Acho que confundem a palavra ‘liberdade’. A crítica é tão somente para não se deixar prosseguir uma celeuma de cunho pessoal ir longe. O transgressor deve ser imediatamente ou num tempo mais breve possível, ser comunicado por PM pelo mediador, ou moderador, ou dono; sei lá, quem for autoridade no site para fazer cumprir o estatuto. Primeiro advertindo-o, indicando qual capitulo ou parágrafo foi infringido. Insistiu... Delete-o. Não há nenhuma maldade nisso. Uma comunidade não sobrevive sem leis, por mais idiotas que sejam.

- Fale sobre: "José Silveira, um poeta cantor e declamador!" (http://www.youtube.com/watch?v=m3WgAnABmew)

Quem canta, o mal espanta. E é bem isso sim. Que é bom lá isso é. Quando você canta sua alma fica fosforescente, o sangue circula com mais velocidade, tem mais oxigênio. Não importa o cantar bem ou mal. Cantar colore a vida, a sua, e a vida a sua volta. Experimentem cantarolarem a média voz caminhando numa rua movimentada. Quem cruzar o seu caminho sorrirá. Eu faço isso frequentemente cantando os meus sambas. Os alienados me chamam de maluco, mas não estou nem aí. Já ri muito por causa disso. Certa vez uma senhora bem idosa cruzou a minha frente, eu estava cantando um samba que acabara de compor, parou e disse: - Adoro esse samba do Cartola. Como não quis desapontá-la, respondi-lhe, que por ela ter lembrado, ele devia estar agora sorrido e dando uma “sambadinha” lá no túmulo. Ela foi embora sorrindo e feliz.
Assim sou eu, poeta cantor, e é assim mesmo que costumam me chamar. Tem hora que preciso cantar meus poemas, por que eles pedem para serem cantados, não todos, mas aqueles que já nascem com música quando estão sendo escritos. Por favor, não me peçam explicações de como, pois não saberia as dar. É um negocio em eu e minhas composições.

CANTO QUANDO FALO DE VOCÊ

Já cantaram que as rosas não falam
E que elas perfumam também
E falaram que são amorosas
Mas que espinhos todas elas tem

Acontece que eu tenho um amor
Bem guardado aqui dentro do peito
É uma rosa e tão especial
Flor de amor sem defeitos

Seus espinhos arranham o ser
Mas com jeito pra não machucar
Só poesias carícias de amor
Faz meu corpo gritar...

Da sua boca os beijos molhados
E na cama jogos sensuais
Com você meu amor não tem jeito
O deleite é demais...

Não fujo a regra, na idade média a poesia era cantada, sei lá, não tenho explicação desta minha vontade de musicar meus poemas. Só sei que cantada ou declamada a poesia fica colorida. Como disse anteriormente quando declarei que alguns dos meus poemas já nascem com letra e música. Outro motivo; a declamação também tem um cunho social importante, pois, se a poesia não estiver em Braile pode ser ouvida, e é muito bem aceita desta forma. Gosto de interpretar textos, não só meus, mas todos os que tenham musicalidade.

- Quando você pretende nos presentear com um livro ou um CD? Quais são seus planos para o futuro?
- A sua maior conquista até hoje foi...

Um livro! Juro, não penso nisso. Sou preguiçoso e desorganizado com papéis. Minha escrivaninha é uma “zona”. Se agora tenho algumas coisas mais ou menos organizadas é graças ao computador, um Ctrl C aqui, um Crtl V ali, e assim, aos poucos vou arrumando. Devagar eu chego lá. Dizem que até tenho bom material, isso dito por amigos, e por serem meus amigos, creio que seja uma declaração sincera, até mesmo diante dos muitos poemas premiados em antologias, em concursos de declamação, poesias editadas em jornais e revistas de bairro, publicadas por colégios em provas de interpretação e literatura. E por aí vão minhas obras.

Agora; essa coisa de CD é invenção dos meus filhos. Mas gostei, pois além de vocal, sou percursionista. Viu; mais uma faceta minha. O filho mais velho é flautista e violonista, e o mais novo violonista e arranjador, todos amadores. Eles eram roqueiros quando adolescentes, agora estão tomando gosto pela bossa nova e pelo samba. Será minha influência? A verdade é que eles tiveram acesso às minhas letras e músicas e acharam qualidade (sorriso) e que valia a pena editar um CD Demo. Estamos ensaiando dezenove músicas, sambas é claro. Em maio vamos para o Studio. Está sendo muito divertido. Ainda mais sendo com os meus filhos. Quero mais o quê? É só cantar e sair para o abraço da galera? (sorriso)

Ah! O livro; quem sabe um dia? Você minha querida entrevistadora, está me cobrando isso sempre, disse que vai ficar no meu pé. Pode ser que por você insistir tanto ele saia. E também porque você me convenceu que é muito bom ter uma obra editada em livro. Senti isso no brilho dos seus olhos, e na minha emoção de abraçá-la aí em Sorocaba, me juntando ao carinho dos seus entes e amigos no lançamento do seu “Um coração no oceano”. Agradeço a acolhida e a atenção da qual você, sua família e amigos me dispensaram.

Não queria pôr esse desabafo aqui, tentei fugir, mas, dentre muitos feitos na minha vida, tem um que eu considero hoje a minha maior conquista. Foi de eu ter lutado desde novembro do ano passado contra um Adenocarcinoma (câncer prostático), que foi vencido após um tratamento radical de radioterapia durante dois meses. Ainda não tenho todos, mas de acordo com os resultados preliminares, tudo leva crer que valeu a pena, a batalha foi vencida. Agora é bola pra frente. Muito Samba e Poesia até que a morte nos separe.
Aproveitando a oportunidade que o tópico dá. Quero agradecer de grande, as orações, os PMs e emails que continuo recebendo diariamente com mensagens de otimismo e de amizade. É uma corrente de solidariedade tão grande, que me leva a emocionar-me muitas vezes. É uma multidão de amigos que me querem bem, e que eu não sabia que tinham tantos. Se eu pudesse abraçaria um a um, num abraço forte e fraterno de amizade e agradecimento, especialmente aos que se comunicavam diariamente comigo. Um beijo de carinho para todos vocês.

- Deixe uma mensagem para os novos autores...

Se você recebeu o chamado, seja da poesia, conto, crônica, ou qualquer outra forma de comunicação escrita. Acredite no seu sonho e vá. Vomite suas palavras no papel, incruste os seus versos na alma qual pedra preciosa encravada na rocha. E você será feliz. Há um pensamento premiado, escrito por mim que diz: ”O escritor com sua obra tanto pode ascender num salto, como de degrau em degrau. As duas concedem a ele o mesmo prazer. O de ter escrito".

- Cite uma poesia de sua autoria, que cala seu coração:

Que me cala o coração?... São muitas! Sou um poeta apaixonado por natureza. Mas há uma que é especial. E isso é uma grande verdade minha querida entrevistadora e poetisa Helen De Rose. Primeiro por você ser um pessoa muito querida. Segundo pela oportunidade proporcionada por você, de eu ter experimentado pela primeira vez um poetar em dueto, e que por ter sido contigo, foi maravilhoso. E como foi o primeiro, e ficará sendo a minha eterna homenagem a você. Eis em revival, a nossa obra. Obrigado de coração.

DUETS IN, TON SUR TON

Penetra em mim com teu olhar masculino
Desejando descobrir todos os meus desejos
Fazendo-me de musa nos teus pergaminhos
Escrevendo nas madrugadas dos teus lampejos

Fecunda em mim a sensação de ser amada
Nos versos que revelam minha essência feminina
Poeta com olhos de anjo e alma de luz alada
Serei tua musa, tua deusa e inocente menina

Despindo-me sem pudor nas tuas fantasias
Alcança pra mim as estrelas com a força do amor
Voando sem fronteiras até o amanhecer dos dias
Estarei no teu coração com meu sorriso fruta-cor

Minha musa... Minha musa como eu te amo!
Encantaram-me o colorido dos seus versos,
Seus escritos misturaram-se aos meus traços,
Invadindo com poesia o meu ser, o meu espaço.

Passei a esculpi-la dia a dia em pensamento,
Sonho que moldo no mais precioso metal,
Faço os talhos serem sutis, suaves e sinuosos,
Adentro à noite, num átimo atemporal.

Pinto-a por meio dos meus olhos cor ray-ban,
Usando como tela as minhas cansadas retinas,
Dando pinceladas em tons “de rosè” e “silver”,
Um querer diferente, de matiz mais vivo e sensual.

Acordo exausto, mais uma vez dormi sobre os meus versos,
Como sempre, debruçado na mesma velha escrivaninha,
Poema que agora encerro para que se eternize.
“Minha musa... Eu te amo, como te amo musa minha”.

Helen De Rose e José Silveira

Quanto ao futuro, como a ele Deus pertence, tomei uma decisão... “Vou deixar a vida me levar”. E neste final de entrevista, eu deixo o meu abraço a todos que me acarinham aqui no Luso-Poemas, é um prazer grande fazer parte dessa grande família amantes da escrita e apaixonados pela poesia.

- Quem é o teu Luso do mês de ABRIL?

Dentre muitas, uma também muito querida amiga, a poetisa TÂNIA MARA CAMARGO.

Muito obrigada, meu querido José Silveira, por ter aceito e compartilhado conosco esta entrevista. É sempre um prazer ver seu sorriso saindo do seu coração. Sinta-se abraçado.

*Esta entrevista foi realizada em "Meu Luso do Mês de Março é José Silveira", dando continuidade à proposta do nosso amigo Alemtagus. Entretanto, para que haja um novo link para todos poderem ler a entrevista, em concordância com o idealizador Alemtagus, com o entrevistado José Silveira e com o administrador deste site Trabis, estou reeditando a entrevista.
 
Meu Luso do Mês é...

~O poeta e as palavras~

 
~O poeta e as palavras~
 
O poeta escreve versos nos pedaços do tempo. Ergue emoções. Embala corações. Na crista da esperança aprumada constrói o mais precioso templo literário. O que lhe importa não são as palavras que ele desenha, mas sim as larvas que nelas residem, porque têm o poder de fazer modificações profundas no ombro sobre o qual pousam.
Nas palmas do poeta, pedras e troncos ganham vida e circulam nas ruelas cuspindo encantos. O poeta não dispensa o pensamento lógico (que usa para tracejar os "eus"), e a criatividade (que aplica para encher os "eus" de vida e realidade especificas). O poeta abraça as palavras e contempla a respectiva fonética. Faz-lhes mutações genéticas e cirurgias plásticas. Dá-lhes um certo sentido absoluto numa determinada frase e antes de arruma-las em versos e formar estrofes, oferece-lhes asas angelicais e pinta-as com as cores mais vivas do universo. Bruscamente, as palavras se abraçam, e, freneticamente se deitam no ventre da maravilha dourada.
Nesta ordem de ideia, pode-se dizer que - um poeta é um ilusionista cauteloso porque mesmo a palavra mais triste quando é por ele trabalhada ganha alegria no avesso. Sim, um poeta carrega no seu peito uma ilha de flores sedutoras queridas por todos. De facto, ninguém as recusa, visto que levam quem as toca à essência da pura verdade e dão-lhe uma ampla visão. Sendo assim, um poeta é também um pensador autónomo que brilha mesmo no epicentro do abismo dando voz a todos e a aqueles que têm as gargantas algemadas.

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Fernando Absalão Chaúque
Instagram /@fernandoabsalao
fernandoabsalao@gmail.com
 
~O poeta e as palavras~

Revisitando Pedrinha de Aruanda a Sombra Rogério Skylab

 
Revisitando Pedrinha de Aruanda a Sombra Rogério Skylab
 
Todo Poeminha tão singelo e pequenininho que até cabe numa caixinha,
Sabe o que ele quer?
GRITAR!
GRITAR!!
GRITAR!!!

E aquela bailarinazinha tão recatada, meiga, olha que gracinha de rosinha,
Sabe o que ela quer?
LUTAR!
LUTAR!!
LUTAR!!!

Mas o menininho tímido e assustado no fundo da sala onde chamamos de cozinha,
Sabe o que ela quer?
MATAR!
MATAR!!
MATAR!!!

Por isso meu amigo que me escute (ou que me lê) ignorem o colossal ou o megalomaníaco.
Mas tenha muito medo das coisas miudinhas que se escondem nos lugares mais insignificantes, pois estamos a sua espreita, esperando o momento certo pro bote certo onde vamos
GRITAR!
LUTAR!!
MATAR!!!

18 de Janeiro de 2017 - Cantinho do Poeta Feliz [volume 2]
 
Revisitando Pedrinha de Aruanda a Sombra Rogério Skylab