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Passou mais um Natal

 
Passou mais um Natal. O Natal em anos idos era mais Natal. Talvez houvessem menos luzes a iluminarem a árvore de Natal, menos enfeites, menos fitas brilhantes, mas era mais Natal…
Quando eles chegavam da escola e me davam postais e presentes feitos pelas mãozinhas deles, era mais Natal… Quando eles precisavam mais de mim e vibravam com a família lá em casa, era mais Natal…
As famílias desmancham-se como uma bainha de uma saia que foi feita com linha fraca. E o Natal é feito de família com linha forte, que não se desmancha.
Depois, passa a ser Meio-Natal.
E como é o Meio-Natal?
O Meio-Natal é ser cordial e não caloroso. É sorrir e não rir muito. É disfarçar. É registar. O Meio-Natal é como tudo o que é meio e não inteiro. É saber que se é dispensável. É receber presentes que não são feitos em salas de aulas. O Meio-Natal é o passar dos anos em que as pessoas se arrependem, se acostumam e se habituam aos Meios-Natais…

Às vezes, nesses Meios-Natais também há mentiras, omissões. O Meio-Natal com omissões, distâncias e mentiras já nem é um Meio-Natal! É um dia, ou uma noite em que se juntam famílias desmanchadas, com bacalhau e batatas à mesa e abrem pacotes comprados em lojas e ficam com mais uma coisa que não lhes transmite o calor de um presente feito numa sala de aula…


Manuela Fonseca


Manuela Fonseca
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Manuela Fonseca
 
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