A tremedeira dos oitenta
Não é ternura dos quarenta
Mas a Perkison que chegou
E que o cérebro atacou
Começando a tormenta.
Halzeimer faz companhia
Que faz sofrer dia a dia
Também os que nos rodeiam
E que por vezes enseiam
Que se termine a agonia
E assim,
A vida vai continuando
Os dissabores vão passando
E não nos trazem felicidade
Mas que fazer
Temos o destino marcado
Seja o timido ou o ousado
Também acabará de viver
Mas se chegar aos noventa
Mais uma ruga se apresenta
No nosso corpo já usado
No coração também cansado
Esperando ainda sorrindo
De festejar mais alguns
Rodoeados de carinhos
Pelos filhos e nétinhos
Que nos dão tanto calor
Mas a tremedeira dos oitenta
Não é a ternura dos quarenta
A. da fonseca