Poemas :
Se ao menos existisse aquela floresta chorante…

Aquela vegetação encharcada,
As grandes gotas que embatiam nas escuras folhas
Das esguias árvores de altura infinita,
Aquela escuridão mais escura que o negro da noite cerrada,
O abafado calor da trovoada que ameaçava iluminar a noite,
As lágrimas das deprimidas nuvens
Que escorriam sobre o meu corpo nu em si mesmo abraçado…
A solidão na sua plenitude!...
Aí passaria os meus dias chorando,
Esgotando toda a tristeza em mim mantida,
Adormecendo num sono profundo quase eterno…
Despertaria com os raios de sol
Que empurrariam as nuvens para chegarem até mim
E me iluminariam a face fria e esgotada.
Erguer-se-ia do solo húmido o corpo dorido e
Enquanto passaria minhas mãos pela face
A floresta metamorfoseava-se em abertas colinas
Revestidas por um verde manto macio
Que ondulava ao sabor da leve brisa.
Meus pés cantariam de alegria ao sentir esse manto…
Meu cabelo ondulante, já enxuto, acariciar-me-ia a face
Segredando-me ao ouvido a vontade de abraçar os céus…
Pés despedir-se-iam do verde manto,
Olhos despedir-se-iam das tristes nuvens,
Corpo despedir-se-ia da confortante floresta negra
E para sempre me perderia nos céus
Na companhia das gaivotas filhas do mar…
Porquê?! Porque não existe a floresta chorante?...
Joana Pais de Faria, 22/09/09

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