uma ave cheia pousa o voo e aconchega-se
apruma-se, no coracao quente da terra
sacode-se no po da saudade
revendo no rosto do retorno
o lugar onde a sua alma se perdeu
acolhe-a a sabedoria das rotas
o circulo limitado do ninho
que derrota a matematica das coisas
"tudo se cerceia ao seu inicio e
o sangue e o inicio de tudo"
quem te dera, o ave! que o teu corpo
fosse sempre a agua solta do acude
e a lembranca a muralha inevitavel
que o sustenta
quem te dera a ti ser a intimidade da luz
a que doira os cabelos do mundo
para depois adormecer
no meu peito existe uma ave
que se aconchega para partir
Rita S. Beja