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QUANDO A SOLIDÃO É A NOSSA COMPANHEIRA

 

Nesta solidão onde me sento
a casa continua a respirar
mesmo quando ninguém responde
há copos que já não tilintam
cadeiras que aprenderam a esperar

Nos cantos da manhã
a luz entra devagar
como quem pede licença
a um coração que já foi festa

Houve um tempo
em que o telefone era um pássaro inquieto
em que nomes diferentes
habitavam os meus dias
como estações do ano

Amei com pressa
com incêndios
com promessas ditas de madrugada
que pareciam eternas
até à próxima despedida

Agora o silêncio
é um companheiro disciplinado
senta-se comigo à mesa
caminha ao meu lado na rua
deita-se na metade intacta da cama

Às vezes pergunto-me
se a solidão nasce
ou se cresce
nas cinzas de tantos abraços

Porque quem viveu rodeado de amor e paixão
não aprende facilmente
a arte de estar só

Fica-nos o eco
um riso no corredor da memória
um perfume que não regressa
uma palavra que ainda sabe
o caminho de volta ao peito

E no entanto
todos os dias acordo
e preparo café para um

Não é tristeza
é apenas a lenta aprendizagem
de existir
sem tempestades no coração.

Mário Margaride
12-03-2026


Adoro a poesia. E tal como um pássaro, voo nas asas das palavras, no patamar do meu sentir, e das minhas emoções.

 
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MÁRIO52
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Enviado por Tópico
Barbozza
Publicado: 24/03/2026 02:38  Atualizado: 24/03/2026 02:38
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 Re: QUANDO A SOLIDÃO É A NOSSA COMPANHEIRA
MÁRIO52, olá caro poeta, verdades descritas em teu poema, há momentos que a solidão é a única companhia e, vez por outra, ela também me faz companhia kkk, abraço.

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