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| agniceu | Publicado: 16/02/2026 22:54 Atualizado: 16/02/2026 22:54 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/07/2010
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Cacheiros sem fechos de zíper
dançamos como cordeiros no meio dos lobos, e trememos de medo das sombras e dos cabelos. desenhamos no céu um barco com asas, e nadamos num beijo, ultrapassando as nuvens mais altas. caímos desamparados quando soubemos que a língua era estrangeira nos calabouços dos lábios. saímos da casca e ficamos estrelados. |
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| Benjamin Pó | Publicado: 18/02/2026 08:27 Atualizado: 18/02/2026 08:27 |
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Administrador
Usuário desde: 02/10/2021
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gisberta sobrou o sotaque agridoce da pitanga importada com moeda gasta de batom que nos beija como paga ao tique-taque do nada marcado nas mãos e no cimento como murmúrio de sangue que se despeja da balaustrada para uma prega de esquecimento |
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| Rogério Beça | Publicado: 18/02/2026 20:51 Atualizado: 18/02/2026 20:51 |
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Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
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Abalada
Há um fogo que só se acende quando estás. Por trás das coisas, entre o musgo, no bolor dos azulejos há um fogo. Aqui e ali, fuga e cimento. Chamas e mais chamas, labaredas de nomes só da tua pessoa em mim. |
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| Aline Lima | Publicado: 19/02/2026 02:58 Atualizado: 19/02/2026 02:58 |
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Administrador
Usuário desde: 02/04/2012
Localidade: Brasília- Brasil
Mensagens: 1146
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Flanco Senti antes de ver. Não te segui. Fui seguida pelo que não espera. O passo acelera quando reconhece o risco. O dente pensa. A carne responde. Te dou o flanco e me espanto quando morde. Não sei mais quem chama, quem foge, quem sangra primeiro. O chão some. O fôlego falha. Há algo que não avança e, mesmo assim, te cerca. Se paro, me alcanças. Se corro, te perco em mim. Não te aproximes pedindo. Não te afastes fingindo. Não me venças. Não me salves. Hoje, amor, ninguém dorme inteiro. |
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| AlexandreCosta | Publicado: 19/02/2026 09:23 Atualizado: 19/02/2026 09:23 |
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Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1449
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"Caçada" - Bebel Gilberto
Carne passada a besta arredonda não sabe de nada quadrada a cama parada já vai de onda a carne passada caçada em fome que come entrelaçada a pele, a ronda a monda cruzada entalhada a fera que some na presa apertada na pressa coada uniforme redonda cansada a besta apanhada caça que dorme acamada 19-02-2025 |
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| Alpha | Publicado: 19/02/2026 13:52 Atualizado: 19/02/2026 13:52 |
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Membro de honra
Usuário desde: 14/04/2015
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Mensagens: 2310
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E o céu não espera
Às vezes o dia trava na beira da manhã Encarando a própria sombra sem armadura com sonhos amassados no peito Dúvidas rasgam baixo Medo de não dar conta Medo de ser visto tentando Ele ensaia coragem Mas o céu já clareia A luz não hesita O alto não recua E ele vai não porque esteja pronto mas porque ficar dói mais O amanhecer acontece E o céu não espera! |
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| klopes | Publicado: 19/02/2026 15:53 Atualizado: 19/02/2026 15:57 |
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Participativo
Usuário desde: 15/02/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 36
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Sem Pavor
O passeio treme sob o peso do dia, sem licença. Não procuro o brilho, o aço na cinta, nem o gume. Trago os punhos. Carne e têmpera. Músculo vivo. Sou o corpo. Recuso-me à sombra, passo firme. Invento a fraqueza ao contrário — faço dela impulso, faço dela salto. Sem espadas. Rasgo o silêncio Sou caçador. Caço as razões que os pneus trituram, as incertezas que vestem neblina, a mentira que muda de pele à luz fria das vitrines. Caço a violência — a que estala no vidro, a que aprende o meu nome. Mas a caça também me habita. Espera o meu cansaço. Afia o meu medo. Respira no mesmo peito. Ser é o rosto que acorda a sombra, é entrar na rua sem couro, desarmado — e não ceder o chão. Sou o caçador e a caça. O pulso e o alvo. A ferida e o passo. Sem pavor. |
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| Alemtagus | Publicado: 19/02/2026 20:31 Atualizado: 19/02/2026 20:31 |
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Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 3941
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Loucos que somos os tão puros
Sem a nua cor de pele no olhar Nó górdio por humana condição Descalços nuns caminhos duros Que se ignoravam num tal amar Suicida do teu verbo ainda órfão Doce música a derreter na alma Silêncios pobres deitados ao rio Que vos navegaram sem rumos O vento escrevia de mão calma Um verso negro vestido de brio Qual os nossos em desaprumos |
| Enviado por | Tópico |
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| Liliana Jardim | Publicado: 20/02/2026 21:44 Atualizado: 24/02/2026 15:48 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/10/2007
Localidade: Caniço-Madeira
Mensagens: 4504
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O ano em que entrei na Lusos e por cá fiquei 2007
Dissipo-me na penumbra do dia Dissipo-me na penumbra do dia e renovo-me numa espiral de sentires ao amanhecer troncos nus deitados, observam-se folhagens outonais acariciam os ramos híbridos do corpo trilhos e abismos entrelaçam-se no passado e no presente e a claridade penetra nas ramagens primaveris de que somos feitos mais um dia que me transforma em muitas partículas invisíveis evaporando-se no vento existencial e tu amor, permaneces eternizado nas copas baloiçantes das arvores distante de mim Escrito a 20/2/2026 |
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| AlexandreCosta | Publicado: 23/02/2026 16:17 Atualizado: 23/02/2026 16:21 |
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Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1449
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"Balada de Gisberta" - Pedro Abrunhosa
A estrada de Giz(a)berta pariu-te a vida na forma estranha de quem via só do dentro quem dentro eras até escancarares a porta do armário e fazer-te estrada de ir à vida qual Marilyn a enfrentar o microfone em baton rouge num palco de brilhar depois não era giz mas era pó para Gis um pó qualquer de matar aos poucos e os loucos pagaram-te, deficientemente uma imunidade que mais matava adquirida caíste à rua à estrada de arrastar a morte aos poucos já deus não te existia não bastasse ainda nasceria uma curiosidade a impregnar mesóclises adolescência com cão danado bestas cruéis de bater no chão até bateres no fundo no fundo de um poço fosso de juiz que diz morreu afogada para perdoar criancinhas malévolas coitadas felizmente os sinos exemplares ainda ressoam, retrospectivos pela estrada de lousa o risco ténue a Gis a tua vida e as bestas andam aí por aí 23-02-2026 |
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| gillesdeferre | Publicado: 07/03/2026 20:12 Atualizado: 07/03/2026 20:12 |
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Colaborador
Usuário desde: 14/06/2024
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Balada de Gisberta
No final desse poço o chão rude doi-te a liberdade o demónio das pequenas coisas sempre esquecido onde vais agora na tua noite de estrelas como são as tuas noites triunfais de que se tece o ardil da história onde pairam os anjos nus onde se esconde a raiva onde se dilaceram os corpos diz diz diz como são agora as tuas noites |